Almas

20121231

sempre. tempo. amar.


não há luz que me ilumine, nem sombra que me carregue. os pecados que nos rogam não nos matam, nem engordam, sublimam-se no tempo que nos espera. falta de mais ser carne viva, falta de mais ser corpo molhado, sobra de mais ser eu, seres tu, não nós. sobra nada, sobra tudo, até a chuva chora comigo e cantamos juntos para ti. mais um fantasma no meu quarto, mais uma alma que vagueia neste plano enquanto me chama para me levar. vou-me limpar, este álcool é mais puro que os meus conselheiros, ele não me mente, só às vezes me ilude como o tempo. esta janela não é mundo, é escrava dos que dela se servem para espreitar. as luzes estão tristes, as ruas estão presas ao inferno e o tempo não muda os discos riscados com os mesmos sentimentos de sempre, as mesmas dúvidas e questões, os mesmos venenos do exterior. o tempo não muda, não faz nada, não queima nem arde, o tempo não sente, só passa e o que passa não volta, mas pode começar sempre num novo presente. limpei-me. os defumos não me afastam os traidores e mentirosos, mas afastam os cinzentos que me pesam as costas e correm em sombras nesta casa vazia. alimentam-se de mim e eu alimento-me de amor, que não tenho, por isso me deixo morrer todos os dias um pouco mais, um pouco menos. sempre menos de mim, sempre mais para ti. o sempre não existe, mas sempre há-de existir o tempo de nós, o tempo. o amor. mas nós...nós já fomos de outro tempo e poderíamos ser deste também. em tempo, de amor. amei-te. talvez sempre te ame, mas o sempre não existe, no tempo. amor.

20121230

passado não é presente

"I'm not a perfect person
 There's many things I wish I didn't do
 But I continue learning
 I never meant to do those things to you
 And so, I have to say before I go
 That I just want you to know
I'm sorry that I hurt you
 It's something I must live with everyday
 And all the pain I put you through
 I wish that I could take it all away
And the reason is you"

o passado é passado e não queria mexer nele. é história e as histórias são apenas para contar. mas as oportunidades, as oportunidades são o  nosso presente, por ter sido um mau passado, não significa que seria um mau presente. era isso que eu te pedia, que me tivesses deixado fazer parte do teu presente, apesar do que fiz com o nosso passado. segundas oportunidades toda a gente merece, principalmente quem é meio-inocente. realmente tenho pena que sejas intocável, que não te signifique nada para que não me dês nem um sinal. realmente disseste não ter esquecido o que fiz, mas então porquê não me dares a oportunidade de mudar o que ficou mal feito? se te destruí o peito, podias dar-me uma oportunidade de o reconstruir, se sabes que não fiz o que fiz por querer. seria uma oportunidade para reconstruir também o meu. os dois poderíamos faze-lo. não te armes em valente comigo, porque também eras frágil. tira essa capa e olha-me o interior outra vez. tudo diferente, desta vez eu mudo o que tiver de mudar, vamos viver como nunca vivemos. sufoca-me não me dares uma resposta, sufoca-me não saber se choras, ris ou suas com as coisas que te mando. não merecia, porque fomos duas vitimas deste jogo porco. desculpa o mal que te causei, não foi controlável e tu sabe-lo. desculpa-me, mas não consigo ignorar o facto de ter sido um assassino, já ter pago a minha pena, mas a vitima não me conseguir perdoar. esse é o meu maior castigo, juntamente com o ter de viver sem ti, sem nós. eu mudaria tudo o que tivesse de mudar só por ti. das promessas que fizemos nenhum dos dois as cumpriu, mas desta vez...eu faria tudo só para ficar contigo, desta vez seríamos mais fortes. matas-me com isso. matas-me.

20121228

de ti guardo

Nunca mais vou poder esperar
E então ver-te a sorrir
Porquê?
Te arrancaram de mim, assim
Diz-me porquê?
Se te esqueceste ou não de mim
Não posso mais!
Eu não posso mais!

de ti guardo o nosso melhor glorificado pelo nosso pior. de ti guardo o nosso começo meio atrapalhado, rápido e quase instantâneo, como se soubesse que pertencia a ti sem nunca te ter conhecido. guardo os segundos demasiado velozes na forma como me agarrei a ti. guardo o tempo que demorou entre beijos e amassos para perceber que realmente tinha de estar contigo e que não era só gostar, era mais do que amor. nunca foram palavras soltas nem frases ao acaso, foi tudo verdadeiro, o que é meu é verdade e sentido. de ti guardo as brincadeiras no meu carro e no teu, pequenas noites frias em que os abraços eram o calor que embaciavam os vidros. de ti, guardo as palavras de amor, as dedicatórias que juravam sermos o mundo um do outro. de ti guardo os desejos e as vontades que ficaram por realizar. fica o que tinha de mudar para sermos um nós melhor, fica o mais que não dei por ti e fica o tempo que se esgotou para nós. restou o carinho para te dar se quisesses, restaram as caricias no pescoço, as trincas nas orelhas, os lábios quentes, as mãos geladas, o descanso no meu peito e o amar no teu colo. de ti guardo memórias de tempos reais, de vida em mim. de ti guardo as tuas inseguranças, os meus medos e as nossas chatices. de ti guardo as conversas alheias a nós, guardo o nosso tempo escrito na minha alma. de ti guardo as noites e as tardes com os espíritos, guardo o que fazia para te proteger, a preocupação para que nada te acontecesse. de ti não guardo a minha primeira mulher, mas guardo certamente o meu primeiro amar mais sentido. de ti guardo o amar, guardo o conceito que isso significa, teres sido a princesa que gostei mais até hoje. de ti guardo os sonhos que tinha e que planeava realizar, guardo a minha luta pela verdade que alcancei já sem ti. guardo o meu esforço e dedicação. de ti guardo as minhas lágrimas por nos ter morto, por te ter destruído sem querer. de ti guardo o sofrimento que me diz que sem ti não sou feliz. de ti guardo amor, guardo a despedida tão negra, guardo o desejo de não voltar a escrever mais aqui sobre ti. não guardo essa promessa, porque percebi que não consigo cumprir nada que se relacione contigo. de ti, guardo um nada neste momento, mas guardarei a lembrança de te ter amado realmente e ter feito o que devia para o provar. de ti guardo as marcas difíceis, guardo o meu arrependimento que tentei ser mudança e a falta de oportunidade para nos deixar morrer em paz neste ultimo tempo. de ti guardo os carinhos, as rosas e o querer que sejas feliz. de ti guardo-me a mim, guardo o nós que ninguém me tira, guardo o tempo da nossa magia, guardo o nada do tudo que fomos. guardo-nos como se o tempo nos guardasse os momentos. guardo-te, mas deixo-te em 2012 se foi nele que quiseste ficar. guardo-te. beijo. adeus.

20121227

365 fin


este ano percebi que não posso apoiar a minha vida em ninguém, e que tenho de ser eu o meu único pilar. este ano perdi duas pessoas que eram a base da minha vida e que é doloroso seguir a vida sem elas.

percebi que pessoas que nos apoiam em determinado momento não são sempre nossas amigas, por vezes apenas querem algo de nós.

aprendi que há mais maldade no mundo do que aquela que achava ser possível. e que há pessoas que apenas existem para impedir a felicidade dos outros.

aprendi que a inveja é o alimento de muita gente, e que não é justo o que fazem comigo.


 "And the tears come streaming down your face
 When you lose something you can't replace
 When you love someone, but it goes to waste
 Could it be worse?"
aprendi a lutar até ao fim por aquilo que amava e que nem sempre amor é pago com amor. que nem sempre a luta nos dá aquilo que merecemos, mas que pelo menos nos deixa a consciência tranquila.

aprendi que o poder da mentira é equivalente à morte, e que a dor da perda é um vazio que nos come a alma.

aprendi que sou o meu próprio herói e que mereço mais do que o que recebo dos outros.


"And I knew for sure I was loved
 If I could get another chance, another walk, another dance with him
 I-d play a song that would never, ever end
 How love, love, love
 To dance with my father again"

aprendi que os ídolos não nos ensinam a viver, mas tu meu avô deste-me todas as bases para ser como tu. obrigado.

aprendi que os espíritos existem, que há vida depois da morte, que a bruxaria é possível e não é só como nos filmes.


"Kick it if back and fof 
Bloodely for the best of us never to be alone 
Talking about those days 
Playing around our ways 
Takin’ stocom what’ve got 
Never be gonna lies feeling you raped by my side "

aprendi que há pessoas que nos provam a amizade quando menos esperamos e que aguardamos coisas de quem não tem nada para dar e aqueles com quem não contámos por vezes nos surpreendem.

aprendi que se podem resolver problemas de há muito tempo, até anos e que conseguimos tranquilidade com isso. sinaré, foi bom termos resolvido as coisas.


"If you don't know me by now
 You will never never never know me
All the things, that we've been through
 You should understand me like I understand you
 Now girl I know the difference between right and wrong"

aprendi que nem toda a gente merece que lutemos contra a nossa própria família por elas e quero continuar acreditar que Deus programa tudo por um motivo.


"You in the dark
You in the pain
You on the run
Living a hell
Living your ghost

Living your end

Silence is not the way
We need to talk about it"

aprendi que o perdão torna-nos melhores e o arrependimento nos dá forças para agarrar o mundo.

aprendi que o tempo não nos elimina a dor, o sofrimento e o desgosto, apenas nos ensina a lidar com eles da maneira mais crua.

aprendi que a traição pode vir das pessoas mais próximas e que isso me fez despertar vontades que nunca pensei serem possíveis em mim. a vossa morte seus filhos da puta.


"What if you could touch my hand
 Through the deep sweat sweating
 For a guilty, guilty man
And oh no, I tried
 I tried"


aprendi que chorar à chuva faz demonstrar o quanto estamos desgastados, e que os rios para além da sua água também podem levar as lágrimas que temos para gritar.

aprendi que fugir de casa nos faz sentir ainda mais sós e que dormir debaixo da ponte não é tão mau como se julga. descobri que ver as estrelas sem ti é destruir as memórias dos nossos melhores momentos debaixo delas. e que pedir perdão nem sempre é o suficiente.

aprendi que sou péssimo quando escrevo bêbedo, mas que isso me dá coragem para falar com quem preciso. e que me faz tomar consciência do que tenho de fazer em estado sóbrio.

aprendi que por vezes julgamos que um sentimento não é tão forte como pensamos, e que outras vezes um sentimento que nos dizem ser tão bravo, afinal não o é.

reaprendi que não vale a pena fazer projectos a longo prazo, porque o tempo é uma inconstante de instantes.

aprendi que amar é para os fortes, lutar por ele é para os guerreiros e que o meu amor não se pode dar de bandeja a quem não me conhece.

aprendi a dar mais valor ao que sou e a não me rebaixar por quem não fez nada por mim.

aprendi que os sonhos não se desejam, constroem-se. que o amor precisa que dê tudo por ele e que se não der, não vale a pena.

aprendi que as pessoas julgam sem conhecer e acham-se melhores que os outros sem saberem de nós.


"I'm coming up only to hold you under
 I'm coming up only to show you wrong
 And to know you is hard and we wonder
 To know you all wrong, we were"

aprendi que as pessoas que gostam de nós se esforçam até á ultima pela verdade, e que as que não gostam assim tanto, desistem da batalha.

deparo-me assim com as minhas conclusões tão frias...enquanto os valores de uma verdadeira amizade forem superiores aos de um falso amor, estarei sempre de consciência tranquila por vos preferir a vós do que a ela. o amor são promessas num fio de ilusões. o sitio onde moro é demasiado pequeno para alguém gostar de mim. a chuva dá-me tempo para chorar, porque esconde o que os meus olhos gritam ao mundo. e se tudo começar a ser demasiado bom, tenho de me preparar para que alguém me desiluda.

para o próximo ano, não quero pedir muito. apenas que os meus pais se entendam após 3 anos de guerra e que consiga ter uma relação com eles. que a minha vida ganhe um novo rumo, com uma nova inspiração. peço um novo amor que me alimente os dias e me queira como mereço. peço um pouco de felicidade, estabilidade e muito amor. parece pouco, não quero que o mundo me dê tudo de mão aberta, mas que pelo menos me estenda o braço para conseguir conquistar tudo isto. não quero partir sem pelo menos ter tido a experiência de um dia totalmente feliz.

que seja o que Jesus quiser. beijos.

20121225

cápsula de amores no tempo


"Mas ninguém é quem quer,
E eu não consigo,
Dizer-te que te amo até à lua

 Não sei, se aguento, beber o teu veneno,
 Palavras leva-as o vento,
 E ainda bem põem-me doente,
 Olhos de quem me conhece os cantos,
 Quando olhas para as estantes,
 Livros são pontes para os nossos corpos distantes...
 Poemas tu sabes tantos,
 Problemas tu sabes cantos,
 Cápsulas de sonhos falsos, somente amenizantes,
 Pantomima e tropelia, fazer papel de campo-tino,
 Claro que tou sem coração se tu levaste o meu contigo!
 Construo nesta floresta, um casulo para morar,
 Invento neste verso uma relação para durar.
 Não te assustes com a minha forma, peculiar de entender,
 Que a vida é um miosótis azul e o tempo uma orquídea a arder."
joão tamura - terês terigues teristes


a diferença entre desejar alguém vivo ou alguém morto, está na consciencialização. enquanto num estamos cientes de que não será possível obter o desejado, no outro alimentámos a cada batida cardíaca a esperança de que algo mude e é isso que nos mói. talvez seja por isso que só damos valor às pessoas depois da morte, ou depois de as perdermos realmente. não se aplica bem no meu caso mas julgo que se aplique a um grande numero de pessoas. é triste que assim seja, é triste que seja assim a forma de sentir. tenho pena de quem sente verdadeiramente porque vive com o medo constante de perder. o medo de perder é um sinónimo de amar, mas a liberdade para deixar partir é o maior espelho do amor. não te prendas por ninguém, mas não o(a) deixes sem saber se morreste para que não lhe reste a esperança de que um dia voltes. se morreste, morreste, por isso diz-lhe para te enterrar. e deixa-lhe dar-te o ultimo beijo da despedida com o ramo de flores que te oferecer. tu permitirás que ele viva o seu futuro sem ti, e a tua alma saberá sempre que ele fez tudo o que podia por vós. descansa em paz, amor dos meus últimos chorares, eu não recebi o sinal teu, mas sei sentir que já morremos no tempo. um tal beijo sem veneno para ti. aDeus.

20121224

tudo o que eu quero são vocês minha gente.

tudo o que desejo é poder continuar a ter-vos na minha companhia. entre os que gostam, os que adoram, os que amam e mesmo os que me odeiam, desejo-vos paz e alegria para esta época. para os que gostam desta altura espero que a festejem com toda a emoção, aos que não gostam como eu, de certo só esperamos que estes dias não nos desiludam mais do que os restantes do ano. beijos meus amores, aos que me seguem, aos que me lêem, aos que me viram as costas, aos que me acompanham e aos que nem por isso, tudo de bom para vós. sejam felizes. quero-vos.

20121223

vivi um passado que não merecia


tenho vivido no passado. tenho tentado puxá-lo para o presente e não vale mais a pena. o passado é passado e é isso mesmo. de que adianta o arrependimento por aquilo que se fez sem fazer? de que adianta o arrependimento para quem não tem perdões para dar. vivi todo este tempo numa história que nunca deixei, talvez esse seja o motivo de nunca ter partido realmente. o meu pensamento nunca te deixou, a minha alma nunca deixou de cuidar de ti e o meu coração sempre bateu por nós embora não o tenhas visto. tu não sabes nada do que eu vivi naqueles tempos. não sabes o que fizeram comigo porque só estás preocupada contigo. se tu soubesses o que eu senti, a minha vontade e não o que aconteceu. mas não...és a rainha, sabes tudo, magoei-te é certo, mas e eu? alguma vez terás pensado no que se passou? alguma vez terás pensado se o que eu estava a fazer era a minha vontade? conhecias-me assim tão mal para não perceberes que não era eu que estava a fazer aquilo? terás alguma vez posto a hipótese de te colocares no meu lado? claro que não, e sabes porquê? porque eu não te dei a oportunidade de falarmos quando querias porque não era capaz, porque não me permitiram. mas quando tentei, quando tomei a decisão de que não queria saber do que diziam, quando ganhei forças novamente para lutar por ti, também não quiseste saber. não queres saber, porque já te sou indiferente. ainda bem que seguiste em frente, talvez tenhas seguido logo dias depois. e esta eu sei, não estou a escrever de cor. farei o que tenho a fazer, o passado ficará para a história e aguardarei os mistérios do futuro. que seja o que o destino quiser e o que Deus desejar para mim. não mereces o meu esforço, não mereceste o meu sofrimento que nunca soubeste que tive, não mereceste a minha luta para largar o mundo e ficar contigo, não mereceste que lutasse contra a minha família por ti, contra os meus amigos, contra a minha cabeça que me enchia de dúvidas se realmente poderia ser verdade o que me diziam. não mereceste um único estilhaço do meu coração, porque não soubeste, mas eu lutei todo este tempo contra tudo o que me disse que não podíamos ficar juntos. e afinal, não podemos mesmo, mas desta vez não é porque o mundo não quer. é porque a distância das nossas vontades não deixa e eu também já não sei se quero, nem se seria bom. fui-me.

ganhei o fim do que amava e isso sabe-me bem


eu não te amo, apenas preciso de pedir desculpa pelo que fiz. faz parte de mim, admitir que errei e seguir em frente. não tenho problemas com isso. sou assim mesmo, verdadeiro, não me importa o que os outros possam pensar, sei o que sou, sei que mantive sempre a minha postura e tenho os meus valores. eu não te amo, só preciso de arrumar este assunto porque a minha dignidade obriga-me a admitir perante os teus olhos que errei. que sejas feliz é o que te desejo. que te tratem bem é o que precisas. eu sei o que fui, sei porque fui, felizmente ou infelizmente Deus tira-nos do caminho quem tem de tirar. se terminou daquela forma é porque tinha de ser. consegui atingir a minha estabilidade, sou demasiado boa pessoa é o que me dizem. não vais ter a oportunidade de me enxovalhar porque não o mereço. se estivesses disposta a ouvir a verdade e o sentimento, se tivesses tal coragem, irias arrancar esse taco de raiva e arrogância de uma vez. é muito fácil falar sem ter de ouvir os outros. principalmente quando somos sensíveis ao que os outros podem dizer. principalmente quando isso nos afecta. por isso nos armamos em fortes e exterminadores. torna-se mais fácil demolir-me com tudo o que tens para dizer, do que ouvir os meus motivos e a minha parte da história. queres mesmo saber? estou-me a cagar como se diz na minha terra. queres ser bronca? sê bronca para aí pah. queres ser estupida? sê estupida. alguém aqui sabe a minha versão? alguém sabe pelo que passei e o que me fizeram? então não me julguem, seus dementes. amar? amar é saber perdoar, é ser honesto, é ficar destruído com certas revelações. é não ter a coragem de enfrentar alguém porque ela nos destruiu por completo. é tratar a pessoa de forma fria, porque não sabemos como lidar com a realidade. é não querer magoar e sofrer por dentro porque o tivemos de fazer. é resistir ao mundo enquanto temos forças. é perguntar se está tudo bem e responder que sim, para tentar ultrapassar mais um dia em que não nos conseguiram separar. seria ouvir a minha história, seria saber pelo que passei e compreender. ah vão-se foder suas cobras venenosas. vão julgar o caralho que vocês não são ninguém. o mundo há-de-vos ensinar alguma coisinha. a mim já me ensinou, já paguei pelo que não tinha de pagar e já sofri sem ter de sofrer. se Deus nos tira do caminho é por algum motivo. já não desejo a felicidade a ninguém, já não desejo nada. que seja o que o mundo trouxer. não me mereces. porque sei o que sou e sei o que estás a ser. não me mereces, e isto foi o que eu precisava de perceber para virar a página. acredito que desta vez consegui. afinal sou mesmo grande, caralho. ultrapassei isto sozinho, sem apoio e com 50 cães a mandarem-me abaixo. sou verdadeiro, é esse o meu mal, sou ingénuo e sou amante, mas isto, isto tornou-me mais forte. com o caralho daqui para fora. foda-se para vós que não me merecem. vengaaaaaa. e quando amares mesmo um filho da puta (como pensas que eu sou), quando andares atrás dele que nem uma cadela abandonada, aí sim vais bater com a cabeça na parede. quando cometeres um erro e não te derem a oportunidade, quando fores enganada pelo mundo e depois descobrires a verdade e não tiveres a oportunidade de voltar atrás. quando estiveres no meu lugar, vais saber o que isto foi e nessa altura eu já serei feliz. despejar esta raiva fez-me bem. contigo aprendi o que era amar realmente e aprendi que o amar em certos casos tem limites e eu cheguei aos meus. não tenho de rastejar por ninguém, não quero mais saber de ti. sou livre porque já paguei a pena de nos ter morto. ganhei pah. "há cervejas, tremoços e o caralho pah. foda-se tone." venha a vida.

se quiseres falar a sério eu estarei cá, sem esquemas e armadilhas porque eu também fui uma vitima. tem uma atitude correcta, já que eu não tive na altura. boa viagem.

20121222

começar a despedida da dor

um novo começo seria parte de um novo tempo, seria parte de nós fazer com que a dor terminasse. não precisaríamos que todo o sofrimento fosse esquecido para nos amarmos novamente, porque decerto tornou-nos mais fortes para um novo futuro. amor, terás de ter a coragem de sentir a verdade da minha voz apertar-te o peito porque só assim perceberás que o meu sofrimento é maior do que a minha alma e que o nosso amor era demasiado invejado por aqueles que “gostavam” de nós. a história foi demasiado fria, mas o que devia contar é que precisamos um do outro, ou eu de ti, ou tu de alguém, ou tu de ti e não de ninguém. foi um massacre para mim e eu tentei remontar-me para depois sermos nós novamente. não te quero amar como amo porque sei que não é mutuo. queria odiar esta casa mas precisaria de ti para que tudo fosse melhor. queria-te no meu quarto, a amar-me e a chorar, a gritar que o nosso amor é tudo, que as desculpas do nosso passado não voltarão para matar o nosso melhor e que apenas os dois chegávamos para lutarmos contra o mundo. vamos ser felizes, desta vez diferente, só a dois, sem conselhos de mais ninguém. pede licença à morte para eliminar todas estas dores, sinto muito por ter sido tudo tão negro, mas amo-te mais que tudo meu amor. perdoa-me e sente que vamos viver, dá uma segunda oportunidade ao nosso amor, porque isso é dar outra oportunidade à vida e esquecer a morte. beijos meu bem, sejas tu quem fores. próximo.

20121221

bebedeira de conversas bravas

"Recordações de calor
E das saudades o gosto eu vou procurar esquecer
Numas ginjinhas
Pois dar de beber à dor é o melhor
Já dizia a Mariquinhas"

não vou deixar o meu canto de desabafos apenas porque passaste por cá. talvez hajam coisas que não queria que lesses, mas não posso deixar mais um lugar que me acolheu. chorarei aqui o que há para chorar, gritarei aqui o que houver de mágoa e tudo será verdadeiro, porque esta casa é tudo o que eu sinto. não alterarei nada só por haver a possibilidade de que o leias, não me importa nada, porque esta é a minha essência, estas são as lágrimas das minhas versões das histórias da vida, ou da morte.

e de encontro a mais uma das minhas batidas, curioso é como o álcool traz a coragem às pessoas para falar comigo. isto não é dar-vos importância, mas parabéns, conseguiram um texto meu só para vocês. uau. estupendas pessoas essas que julgam sem saber, julgam sem se preocupar, julgam sem terem o que dizer. eu não mudei o que era, tenho orgulho no que sou e não sei o que guardo para que tão mal pensem de mim. não fiz nada que mereça tal prestigio que me dais, o nosso prémio é a mostra do tanto que vos mostrais afectados pela nossa grandiosidade. afinal "sou grande". sem saberem o que era ou o que foi de mim, julgaram-me. grandes são os que me demonstram todos os dias que estão comigo, grandes são os que nunca precisei de manipular para que me defendessem, grandes são os que ficaram ao meu lado sem nunca lhes pedir. tudo iniciativa de irmãos de curso, que revelam a união, a ética incompreendida e os valores das irmandades. é esta a vossa inveja, é isto que vos afecta, é isto que vos dá medo, ser inalcançável a nossa destruição. grande não sou eu, somos nós meus putos. pequena, é a vossa mediocridade levada por conversa fiada, por falsos testemunhos de gente traidora que esteve já do meu lado. um dia sereis vós a levar a facada, um dia sereis vós a ser mal faladas, como tantas vezes já fostes por essa escumalha, ainda eu estava contigo. sim esse ser que vos falou mal de nós, que inventa e se lisonjeia pelas vitórias que conquista, essa pessoa falava mal de vós e hoje fala mal de mim, apenas porque se tornou vossa "amiga". rir, dá-me vontade de rir. sim chamem-me cínico, mas o nosso gozo é ver o vosso engano a nosso respeito, é saber aquilo que somos e ver-vos não saberem o que significamos. ai álcool, o que fazes à vida, essa coragem para falar com quem não gostas, e a falta de segurança em sobriedade. ai alcool que diversão és que até dás de beber aos olhos a essas meninas. falem comigo, que pelo menos nós não viramos a cara a conversas de respeito, já vós só falais nas costas do bem, e só me falais bêbedas porque sabeis que sou boa pessoa, que é injusto o que fazem connosco e que somos melhores do que aquilo que aclamam. somos os melhores no nosso grupo, somos cada cabeça por cada cabeça, onde o mesmo pensamento coincide no ser de cada um, sem negociações baratas ou interesseiras. 

um beijo para os que pensam mal de mim e de nós,
e a vida para os meus que me acompanham.

para ti, ah para ti desejo-te o melhor do mundo, tal como o escolheres, tal como o desejares. 

p.s:. e depois deste texto, fica também a minha arrogância e qualquer outro defeito que encontrem, combinará bem comigo. fiquem à vontade, pois não me importa nada que penseis (mas tu, tu ainda és diferente). só achei que devia ficar esclarecido cá para os meus botões. beijos.

se o tempo não der ao mundo mais tempo para nós, amei-vos de mais meus amores. amei-te demasiado a ti, amor.

esta sexta não trará o fim do mundo, mas o sábado poderá ser o fim da nossa raça.

beijos e que esta não seja a última lembrança deste canto.

20121220

peça de tabuleiro num jogo de demónios

quando me perguntares o que aconteceu, eu não saberei responder-te com certezas, apenas com a verdade  do que sinto. julgo que nem eu sei a verdade do que nos passou. não fui eu quem escreveu este guião por muito que tenha parecido que fui o vilão principal. acho que já pensei em mil e uma versões para te contar, já devo ter pensado em centenas de maneiras de te explicar o que fiz, e continuo sem saber nada. tenho a certeza que no frente-a-frente não será nada como as conversas que já imaginei. estou perdido. perdi o fio a esta história porque eu não mandei nela. a única verdade é o que eu sinto e não o que viste acontecer. as acções não eram comandadas por mim, as palavras não foram sentidas naquele dia, e dominaram tudo menos o meu coração. espero que não penses que o que te irei contar serão desculpas ou mesmo alguma forma de escapar a responsabilidades. eu sei bem o que fiz, contigo, comigo e connosco. quando tento comparar esta história a algo, só me lembro dos bêbedos que encontram sempre a sua casa. apesar de dominados pelo estado alcoólico, aqueles tipos encontram sempre o caminho e embora se enganem em atalhos várias vezes, no final chegam sempre lá. eu sinto-me igual. era dominado por outro alguém, e embora tenha andado perdido noutros mundos, soube sempre onde e com quem queria estar. contigo, num nós. fui uma peça de tabuleiro e não era eu quem mandava os dados. desculpa por este jogo nos ter morto, não creio que possas ter sofrido mais do que eu. o meu sofrimento continua pelo que fui sem ser, pelo que fiz sem fazer, e pelo que aconteceu sem ter de acontecer. não sei de mim, nem o que será de nós. e tenho medo de sonhar, porque o sonho vai fazer-me acordar noutra realidade. paz às nossas almas. pelo menos paz e a tua felicidade.


20121219

tenho medo de nós



"Ahhh, Diana... Se o tempo chove em toda a gente e até quem ama
 Se vê metido nesta puta maldição;
 É que gostarmos um do outro só não chega,
 Que temos ambos mau feitio ninguém nega,
 Mas já se passou mais um ano e nós ainda em contramão."

sinto-me um espantalho dominado pela vida. tenho vivido o mal e as desculpas que apregoo. tenho sido tu na minha vida. o tempo continua a falar de ti. fujo dos mortos mas eles continuam atrás de mim. são como cães que me atacam os ossos e o que sinto. esta sexta não acabará, mas o sábado poderá ser o fim da minha raça. não sei que diga, surpreendo-me cada vez mais com o que chamamos de destino. afinal passaste mesmo por cá e continuo sem saber. a nossa estranha forma de amar era única e foi-se como lágrimas de chuva em verão. não sei o que sinto, parece tudo tão anormal ao que tive de me habituar. só a chuva sabe o que espero, ela dá-me tempo para chorar, porque esconde o que os meus olhos gritam ao mundo. de um lado quero dar-te um abraço de perdão sentido, apenas e só, do outro, sonho ainda com flores e mar numa estrada que um dia pensámos para fugir. não sei. não creio que tenhamos ainda sentimento comum, não creio num futuro de amigos, tão pouco de amantes. talvez simples conhecidos, complexos. não sei, as palavras ditarão o teu futuro e o meu, separados em alma, mas juntos ao olhar. destino. que seja o que ele quiser. acho que apesar de tudo eles destruíram mesmo tudo o que eramos. tenho medo de ainda gostar de ti. tenho medo da tua indiferença. tenho medo. só medo do que vier. um beijo. ai vida.

20121216

morram demónios


cabrão é o meu nome para ti. ódio é talvez o teu sentimento por mim. de certo já conheceste a desilusão por me teres amado em tempos. eu odeio-me por ter-nos morto, mas a vontade de matar é maior a quem me fez fazer isso. desculpa meu bem. como é possível o teu coração não ouvir as minhas súplicas? estas coisas deviam sentir-se independentemente da distância entre uma alma e outra. um dia já estiveram juntas no mesmo apego e por isso deveriam ficar com restos uma da outra para sempre. tenho a necessidade de te ouvir, de saber o que sentes mesmo que o pior dos ódios já tenha passado para indiferença. preciso de seguir em frente e largar o nosso passado. estou farto deste mundo de bruxaria. estou farto dos mortos e das memórias infelizes que eles me fizeram viver. raiva. tenho raiva e vontade de vos matar seus filhos da puta. traidores. escumalha. perdi tanto ou tudo por culpa vossa. tenho nojo. morram caralho. morram. a minha alma é luto contínuo. deixem-me em paz demónios nojentos. eu amo-a e vocês fizeram-me demonstrar o contrário. morram que eu não sei o que vos faço quando tiver de vos enfrentar. morram por favor, se também mataram o que de melhor existia em minha vida. 

um presépio de ressaca nossa

um presépio de mortos vivos com luzes de velas gastas. nem vivo, nem morto, não há cor para esta época de paz. as sombras dos pinheiros são mais negras do que a noite e os gritos dos pastores são o canto doce dos demónios de Deus que me gritam aos ouvidos. o que iria eu festejar? a estrela de belém que paira sobre a cabana é hoje apenas um farol que ilumina os piratas em alto mar. brindam esses escravos juntos com a morte que se ri bêbeda com eles. vou juntar-me à festa dessas garrafas, e desta vez não haverá mensagem para enviar em plena madrugada, pois apaguei-te da minha lista preferida. reza a lenda que o amor nasce agora, a loucura dá-se aos homens e a paixão às suas amadas. mas não para mim. não para nós se já esqueceste o meu peito. então o porquê dessa voz tão triste? sou só eu a deixar-me morrer. se não me queres, devo partir para que ames outro ser. quero que vivas a tua felicidade com outro alguém se a mim não desejas. o tempo teima em falar-me de ti, mas pareces-me tão morta. está cinza e turva a imagem com que te vejo. será do tempo que passou desde o nosso último toque? ai agosto o que eu te quero fazer voltar. ai mar que já não me alivias a dor. ai vida, que isto é ver-nos morrer. este vinte e quatro não há prendas para te dar, este mês não há rendas nem meias de vidro para rasgar. o que eu amava esse presente. o que eu amava só te cheirar. o que eu odeio sentir por nós, tão sozinho. o que eu me odeio por nós. palerma, cobarde tão fraco. estúpido, o amor é estúpido e ele não nos conhece. mas a mim, a mim mata-me porque sei quem ele é.

20121214

sentir-te ainda dói. amar-te.


olhar para ti dói. desviar o olhar porque reparas dói mais. passar por ti dói, não sermos o que fomos dói e mata-me. nada consegue reparar o que eu fiz, aquilo que eu roubei de nós, o que eu destruí com a força da mentira que me assombrou. as memórias estão sempre presentes em mim, não adianta fingir que não estão, porque se sentem. quem dera a mim que o nosso destino fosse ver a nossa história a querer desfolhar-se sozinha, novamente. parece que o passado não se percebe, o futuro não quer perceber, e eu não entendo como isto acabou. ninguém percebia o nosso amor, tantas vezes o tentaram destruir e conseguiram. perdoa-me amor. pudesses tu ler estes textos e saberias parte do que eu sinto, parte do que eu morri, parte do que fomos. fodi com tudo o que nos unia. como pude eu ir naquele esquema? eu não acreditei, fi-lo sem acreditar e por isso não está resolvido para mim. sei que nunca mais  quererás um futuro como o nosso passado. nunca mais quererás uma pessoa como eu. acredita, não sou aquele do nosso ultimo momento. se tivesse arriscado por as mãos no fogo por ti, por apenas mais algum tempo do que aquele que consegui resistir, nunca me teria queimado. desculpa. dói. dói tanto ainda te amar. ainda te ver. ainda me veres. ainda me cruzares. ainda não te olhar. ainda não te esquecer. partilhamos o silêncio e ouvimos os demónios alheios ao que eramos só os dois e continuamos o silêncio. vamos conversar por favor. sem mais ninguém. eu, tu e a distância do nós que fomos. dou-te todo o meu amor ao longe, dou-te o desejo de que sejas feliz. dou-te o querer de ti em mim um nós renovado. sabe-se lá se o tempo não me trás tal presente? eu já merecia um presente, depois de tudo o que te fiz, depois do que me fizeram, depois de nós ainda não estar de todo resolvido. pelo menos para mim não está. alimentarei a minha esperança. é desgastante, mas é a prova do meu amor por ti. amo-te. eternamente amo-te tal como prometi. lembra-te deste blog que te mostrei, e lê esta porra de textos. eu sei que se o fizesses não me odiarias tanto.

P.S:. lembras-te do último beijo? lembras-te de sorrires no fim e teres dito que tinhas gostado por ter sido diferente? eu sabia que era. beijei-te assim porque senti que seria o último. agarrei-te com a força do mundo e beijei-te com todo o meu amor. senti que te ia perder. senti como se previsse o que iria acontecer. amo-te princesinha. guarda-me no fundo do teu peito, porque também estarás sempre no meu. ;'(

inspirado e adaptado. original em: tudo fodas, meio amor
autor: claudiagomes.
agradecimentos à minha incrível seguidora. pequena clau. obrigado.

20121213

é este o nosso amor


quero imaginar como é que choras, por baixo desta rua estão os medos que ancôras. à face dessa estrada está o nada que eu não fiz. à face desta lua está o escuro que nos mata e por dentro da nossa terra está a verdade que se destapa em vagar. esta é a tua morte, este é o meu segredo, este é o teu sonho, a tornar-se  pesadelo, para mim. amor, esse é o teu sorriso, é o teu destino, é esta a minha sorte, ver ao longe a tua morte. e sofrer. e eu amo-te. e eu quero-te. mais. por isso pronto para ser vendido, se dinheiro austenta o teu ser mais querido. então foge do meu tempo, vende a nossa história e lembra-te de nós nos teus momentos de glória e ama-me, sem eu saber. esta é a tua roupa, este é o meu final, esta é a minha queda na tua era triunfal. é este o nosso cheiro, é o nosso degredo, é tudo o qu'eu chorei, nós despidos do medo. de amar. amor. te amo.


ao som de: "foge foge bandido - borboleta"

20121212

um par de luvas, e um coração vestido


à uns dias comprei um par de luvas. gostei tanto que raramente as tirava das mãos. mas hoje, hoje a minha pele sentiu saudade de tocar no mundo, nas coisas e nas pessoas.

percebes agora porque é que tenho sempre saudades tuas? 

porque tal como as minhas mãos, o meu coração estava despido, e foi aí que o vestiste com um manto de despedida, e até hoje ninguém se lembrou de me o despir novamente. no inicio foi até meio fácil carregá-lo, depois foi insuportável, e hoje admito, hoje ainda está meio dificil não te ter e o pior é que esse teu manto, mantem vivas as nossas lembranças com a mesma força de sempre, e assim vai continuar enquanto ninguém me trouxer novas memórias.

p.s:. este dezembro está demasiado frio para corações sozinhos. ai vida.

tento imaginar o que eu não sinto


tu és o meu jeito de distracção do gelo em calor. podes apenas aumentar a chama da tocha, mas nunca apaga-la e já não importa o preço do nosso fogo se o deste ao abrigo da morte ou a nossa glória una, aos lobos da noite. os teus navios de carinho mexem comigo, mas as carícias vivem o teu inferno, vivem bem, vivem da estrada que escolheste para a noite. tu reconheces-te em mim mesmo e só em mim vês os problemas deste amor egoísta, dilemas das tuas luzes vermelhas na minha cabeça. minha cabeça sopra, o meu ar sangra e a minha respiração é lenta. não precisamos de educação para sobreviver desta forma, não precisamos da sombra nos meus ossos, o meu cancro foi a última palavra, a minha morte foi o último sorriso, os meus ouvidos ficaram debaixo de água, e eu não sei como estou ao certo. estou a amar a mim mesmo, amando estas luzes, amando estes factos e a transformar tudo naquilo que eu costumava ser. para mim, poderíamos ter sido sempre radiosos, mas o sol foi uma escolha errada, o amor era um lado ruim, o ódio era a nossa maior emoção, e devíamos ter ficado sempre com o brilho mais suave da lua. a criança eramos eu e tu, juntos. esse era o meu maior prazer, então porque não novamente? as estrelas passam, vivem como tu, e não posso negar o que tens e o que não tens. as pedras são mas sensíveis que nós, as aspirações são frias, o teu peito não é mais almofada minha. tudo errado, o fantasma é passado porque o tempo é curto para mim. mas amo-te mais do que isso, porque quero-te mais que a vida, o tom da morte assusta-me quando me chama de perto. tu és o pior de mim. este vento é tão frio para nós, este final é tão nada para mim. não são as mentiras sobre nós que me matam, mas sim os demónios que nos afastam da eternidade prometida noutros tempos. quero o número do diabo, quero um sinal divino, e uma carga policial nos meus ossos, para que se sintam de alguma forma. amor, tu és a rendição dos meus gostos e dos teus. nunca nos importamos com o sentido das coisas, nem precisamos da forma do mundo, as nossas carícias na escuridão e o gozar da noite juntos eram tanto. fecha a tua mente ao errado, eu só quero ir para alguma casa, quero estar no teu corpo e amar-te. muito mais do que isso, tudo tão poético, cego de mim mesmo. realmente amo o que és, amo tão de verdade para dizerem que é mentira. és a perfeição do gelo, numa pena de um anjo, e vou continuar o meu caminho,  eu e tu para o mundo, em meus sonhos. não me importo com nada, tu acreditas ser o que amas, e eu estou deixando o que sei, quero descansar por agora, sem linhas de amor no lado esquerdo do corpo. se chamares o nosso mundo para mim, ora por nós, dança contigo. os fantasmas tem voz, pede-lhes que te cantem um pedaço de nós, mostra o tempo do nosso fim, para depois veres a vida que nos une. e se quiseres, volta.

20121210

não mais princesa

eu era rei de um fantasma, era um morto irreal sem nome. morri, quando separei daquela forma a nossa alma e seduzi a noite com a dor dos nossos cânticos perversos. tudo era fictício, só eu não via, este final é só meu e não nosso se para ti nunca terá começado. não viveste mais esta cidade como eu, foi tudo insano até as bases do teu carinho. tudo primitivo e inquebrável, não soubemos fingir o que sentíamos sem nos magoarmos. cansaste de mim, dou-te por isso a minha coroa. já não és mais princesa minha, és agora rainha, do mundo. usa-a para ser eu os teus olhos e o chão que espezinhas, mas lembra-te que sempre serei a angústia, mas também a tua casa, a tua morada, se outra cidade não for mais estrada para ti. em qualquer dia, poderás sempre voltar, volta. tu, és um penhasco sombrio que me sustem onde eu sempre enlouquecerei se quiseres. não verás nunca ou saberás fingir não ver o nosso fim, tal como eu. lutaremos contra isso sob o mundo e deixaremos o nosso altar de lamurias. opaco, este escuro opaco toma o nosso caminho, os braços caídos são parte do nosso ensaio de afeições. o dom é também teu, mas não poderei repetir este amor para sempre, novamente por ti, as vezes que queiras. todas as vezes que terminar, tu te manterás para ver o mundo, e tudo o que restar para mim será pérfido da paixão que me alimenta. a tua besta é o teu tempo e não eu. é ela que explode a tua raiva, e esse é o caminho da tua confiança. tu vês o amor como um fantasma de amparos, terias de o sentir como uma batalha que nos unisse num só. chora por mim e canta como um morto em glória. o fantasma morrerá, és realmente pouco para mim, desaceleraste a cidade e paraste o tempo para te ver, para o teu viver e a dor de te amar, mas isso não chega, porque eu preciso de mais, tu sabes que mereço mais em vida. e em vida, morri.

20121209

rp: mistérios dolorosos

no primeiro mistério contemplamos a angústia e a morte dos mártires no mundo.

o mal prevalece na terra. os destinos traçados muito antes da nascença são cravados na tua cédula humana. soubessem as crianças o que o mundo lhes deseja e sofreriam desde a infância. e entretanto são elas as que mais rogam pelos anjos, as que suam inocência em cada gesto de valor. Deus as ensina a segui-lo, e os demónios que as educam ensinam a desviarem-se do bem. atenderá Deus a quem tão mal pratica, a quem tão sofrimento causa. chorem por esperança aqueles que negam bondade.

em honra às angústias, reza-se um "caixão à cova" (tabasco, absinto, tequila).


no segundo mistério contemplamos o despedir dos defuntos.

sozinhos, desfeitos, os fiéis amigos que te traíram em vida, nem à despedida comparecerão. a tua culpa não será julgada, pois a tua inocência não te permitiu ver melhor. a tua alma roga ódio às almas que te foram vizinhas em corpo vivo. o desejo de reencontrar os inocentes que afastaste será oferecido num novo plano de luz. os ternos duques do mal, quererão convidar-te ao  seu inferno, e convencer o teu lugar à troca de outro no submundo. resiste mais esta vez e não te entregues para seres crucificado. és luz.

em memória dos que partem, rezam-se  "alas ao inferno" (rum, vodka, absinto, groselha).


no terceiro mistério contemplamos a ceia à porta do submundo e a escadaria para o bem.

após cada experiência maldosa, os castigos que o peito te dá são suficientes para te esmagarem o pensamento. os demónios tentam convidar-te a um brinde com eles e oferecem-te ouro negro em mantos de tristeza eterna. dão-te o copo do teu sangue e pedem-te compaixão pelas suas almas perdidas em vida. os caminhos incorrectos escreveram-lhes a escuridão das sombras. não te juntes ao banquete pois nem tudo o que parece é de bem. aclamam por ti jurando-te serem os teus servos mais gratos. mentira.

num brinde às almas do bem, rezam-se "adeuses à vida" (absinto, malibu, whiskey, vodka).


no quarto mistério contemplamos os da luz carregarem as cruzes do caminho do bem, com a recompensa de um descanso sem martírio.

a cada recusa do mal a tristeza se espalha, a tua alma merece repouso nesta batalha. quando te cruzares com o diabo vestido de saia, resiste à tentação de despires o branco da tua alma. não faças lamentar os que te aguardam e choram para que acabes a tua missão. és exemplo de inocência e vitima da cruel maldade dos demónios e seus fieis. segue um caminho bom, pois é o que te torna digno de alcançares paz no teu peito.

em dignidade pelas cruzes carregadas, rezam os "nem mortos" (absinto, martini, moscatel, carolans).


no quinto mistério contemplamos o enterro final da escuridão e vitória do bem sobre os homens.

depois das tormentas, angústias e pecados, o teu espirito saberá encaminhar-se ao amor. o que aprendeste antes será espelho para o que vem no futuro. esta jornada nunca acaba, o bem prevalecerá sobre o mal enquanto os homens assim decidirem. os valores intrínsecos estão vivos no interior dos seres de luz, cabe a nós gritá-los pelo mundo em palavras de carinho e compaixão. os teus olhos brotarão água quando precisarem de gritar e o teu coração será sempre casa para outra alma. é a nossa parte neste mundo: amar e crescer juntos.

em desonra do mal, reza-se "até à morte" (absinto, vodka, limão e sal).


infindas graças vos dou guias e anjos que me acompanham, desejo-vos o bem demónios e bruxas que me visitam de novo. aguardo o teu amparo, luz eterna, e aguardo o vosso fim, maldade soberana. saúdo-vos com um brinde ao amor (vodka morango, safari, gold strike).




morre, no teu último olhar, porque eu também já morri

Voz por: Joana Dinis

como um encantador de demónios, uma confiança que desvanece nos meus ossos e me sofre. um tempo na tua praça de prazeres e rituais, estava morto mais que os mortos e ainda assim mantinha a emoção que guardava sempre para ti. eu não sei o que tens, se me dizes que vá e me queres. eu não sei o que tens, o que dizes ou o que vês. eu não sei o que tens, o que soltas e careces de mim. agora só queimo os restos do nosso amor, que eu tentei. tentei de mais para estar desfeito, fiquei velho e criança no mesmo tempo. as palavras não salvam o que sinto, nem o que preciso de tomar para acalmar esta dor. cilindro, tudo o que vejo em mágoa, só, para sempre só. não me importo mais, já não preciso, só morro e só mato para te dar o prémio que queres, a minha doença. vou partir, para um lugar onde não saibam o meu nome, onde a minha voz seja dada para amor. dou-te este pão que é teu, esta dor que é minha e a glória pela respiração dos corvos que rezam na igreja por mim. esta noite será selvagem e no fim será hora de brilhar e prender o teu fantasma em mim. saudações, para o teu último suspiro antes de nunca mais me olhares. morre, porque eu também já morri. adeus.

20121208

os gritos desta campa morreram.

os gritos dos fantasmas ecoam-me em choro, este banco está vestido de nada e a velha cruz ao meu lado crava as rezas destas bruxas em círios. esta colina está despida do tempo, as horas não passam mais depressa que a dor dos que param pelo purgatório. este lobo que me uiva do altar está cego das invejas do seu povo, não vê, mas sente como eu que as suas noites não serão mais dia, em breve. os joelhos, meus joelhos estão já gastos, as palmas destas mãos não tem linhas que lhes escrevam esperança. o diabo está comigo neste lado e a vitória é de quem lhe roubar mais almas. ele é tão fraco quanto eu e o desejo de Deus só existe para nos ver morrer, (em luz). os demónios encorajam-me à preguiça, e os anjos não me ouvem porque os traí. eu roguei que não nos deixassem ir, mas o destino era já negro para nós. oh maldade divina livra-me desta morte cruel. oh luz, ergue-me o ser que me combóie no amor e me cure deste mal tão frio. este cemitério é tão vazio de flores e estes corpos não são mais transporte para as almas que voaram daqui. vou sair. esta energia é fogo preto para o bem, é morte contada para mim e é a angustia certa de quem cá vier. vou sair. este portão não tem chave para trancar, porque as profecias juram que hei-de voltar pra cá. vou sair, vou declarar morte a ti e finar esta campa de vez. morri.

20121206

vinte e cinco é dezembro


o meu natal morreu aos dez anos com um cancro e eu cresci. cresci com a presença de uma doença nos anos que se avizinharam. uma doença que a qualquer instante te podia levar de mim. uma doença que não te levou, mas no final levou-me a mim, levou-me o que eu era, varreu-me a criança e deixou-me o medo de crescer tão rápido. nunca soube ao certo o significado de depressão, mas quase que aposto a vida em como eu tinha uma. anos a fio a guardar só para mim todas as dores, todos os medos e angustias, todas as responsabilidades, todo o significado da morte a ser engolido a seco pelo meu peito. o meu natal morreu, sei disso não pelas memórias do seu enterro mas porque sei que todos os anos não há vida em mim para celebrá-lo. nunca fui de presentes, mas de amor, nunca foi de bens mas de valores. senti falta do carinho, da atenção. eu sei que não foi de propósito, talvez nunca tenham reparado até nessa lacuna que sempre me acompanhou. também nunca me queixei, nada foi fácil, mas tantos miúdos que crescem com histórias piores que esta. isto nem foi nada, afinal estás viva mãe, mas a nossa história é sempre a nossa história e para nós tem o valor que tem. acredito que a infância tenha sido feliz até essa idade, mas as memórias são vagas para recordar. não me lembro, como se um bloqueio tivesse apagado de mim o que fui e vivemos antes. o depois foi mau e foram essas recordações que decidiram ficar. o nosso natal não é feliz, somos poucos e cada partida faz-se notar como infinitos nestes dias mais nostálgicos. não tenho primos, tias e tios que vem de longe, somos só os do costume. os do costume, vós que nunca fostes de festas nem alegrias e foi essa falta de espirito com que cresci. e é isso que sou. vivemos as recordações e os efeitos ainda de um natal amaldiçoado em dois mil e um. prometo. juro que prometo que um dia será a minha família, a minha mulher e os meus filhos, e quero que nessa altura o meu natal viva. desejo sentir o tanto que tanta gente sente. na verdade eu não odeio o natal como tantas vezes digo, apenas não o conheço verdadeiramente. este ano ainda assim será. este ano.

P.S:. Avô, onde quer que estejas um beijo teu com um abraço era a minha maior prenda deste ano. amo-Te herói. as minhas lágrimas não são presente para ninguém mas são o meu reflexo mais sentido que tenho para te dar. um beijo para ti.

20121201

gostos de ser.

gosto de rir e cantar. julgo que não haja nada mais importante que goste de fazer. gosto de arte. de séries e cinema. gosto da música. gosto da cidade e das serras. gosto de amar e entregar-me a alguém, mesmo que isso me destrua no fim. gosto de falar com pessoas e de sorrir a todo o momento. aos que me chamam de cínico por o fazer, é pena não vos ter dado a oportunidade de me conhecerem realmente. gosto de observar, e das filas de trás para ter sempre a vista mais panorâmica de tudo o que se passa. gosto de gozar comigo, sou o primeiro a faze-lo antes de qualquer outro. gosto de loucuras e prosa. gosto de desporto e união nos grupos. gosto de estar sozinho porque sou boa companhia. gosto das pessoas quando são gente. gosto de valores e mesmo assim quebrar regras de ética que não afectem ninguém. gosto de asneiras e fugir dos trinques. gosto de conhecer mundo e conhecer vida. gosto do rock que me envaidece os ouvidos e da foleirada de uma música romântica em boa companhia. gosto de amizades que são irmandades, e relações sólidas com discrepâncias que dão pica. gosto de desabafos e do preto. gosto de chorar a partilhar sentimentos. gosto de conversas a dois, e de toques nas mãos que me arrepiem a pele. gosto de beijos e de abraços que façam sentir-nos um só. gosto da noite e de conversas às estrelas. gosto das loucas que se sabem comportar.  gosto das rebeldes que alinham na adrenalina dos momentos. gosto de mulheres que saibam de si e de mim no mesmo tempo. gosto que gostem delas e que confiem em mim.  gosto das com atitude, das que me façam rir e me demonstrem carinho com amor. gosto dos olhos a gritarem felicidade após uma noticia bestial e um pedido de desculpas. gosto de mãos geladas nas costas e de beijos quentes. gosto do inverno e do calor da roupa. gosto das que dão pica e se fazem difíceis até perceberem que não vou mais insistir. gosto de dar espaço para o que as pessoas quiserem fazer com o tempo, mesmo que queira estar perto. gosto de convidar e de quem sabe se deve estar ou não presente, até que um dia a sua presença seja mais importante do que todas as outras. gosto das discretas que fazem o mundo parar para as ver e das que respeitam mas que sabem ser únicas e pestes. gosto das sexys com a sua própria moda. gosto de olhares que se cruzam seguidos de um sorriso com empatia. gosto de atenção e de pessoas especiais. gosto de belezas singulares e das safadas em privado. gosto das misteriosas que se escondem com o seu jeito. mas gosto quando se revelam, quando as descubro. gosto é pouco. amo. amo que gostem. gosto de amar. beijos.