sou um vestido de noiva, nos passos de uma negra balsa
e de um cortejo fúnebre de mim.
se me ergo ou se me engano.
se me dispo ou se me esgano.
nada resta de mim.
sou o que resta do fim de nada, nas pedras que calquei
nas madrugadas em que dormi, sem ti.
sou o que sobra da guerra, nos sacrifícios da fome
e do amor por mim.
se me ergo, mato-me. sem ti.
se me dispo, não sou mais ninguém. sem ti.
e se esta ilusão me mata,
nada sobra para me fazer viver amanhã,
se de mim nada restará.
sou uma nuvem de perda, nas lágrimas que chovem dentro de mim
e do ácido de ti.
sou um aDeus imaculado, no remorso do que perdi
e para quem parti.
sou as moedas que gastei, no mercado do escárnio, que abatem
sobre mim
e do que se abate sobre mim.
morri.
20141215
como estás? perguntou. de frio
antes que a estrutura abalasse, "queres mesmo saber?". terá sido o
suficiente para destabilizar quem se esforçava para não cair. oh pai.
sento no chão frio. cheira a
húmido, penso.
entrelaço os dedos nos membros cruzados
enquanto me agarro para não me bater.
o corpo gela silenciosamente.
a paranóia bate lentamente e
apercebo-me só quando já afundado nela. os livros deveriam ser seis para cada
lado. distraio-me da tormenta com estes pensamentos alinhados. mas não lhes
toco, sou incapaz agora de sentir.
respiro moderadamente.
descontrolo-me porém, solto com violência os dedos gelados e agarro o cabelo, puxo-o
mas não sai. oh de mim. uso do que tenho, sirvo-me do que
é meu e mordo-me onde posso. repudio o que há de sujo em mim, e tento
rasgar-me.
bato a cabeça na parede com força
suficiente para o barulho da batida se sobrepor às vozes. canso-me. sinto dor
finalmente e paro.
os olhos deixam-se secar e ardem
em sal e lágrimas secas agora. ao lado tenho um corpo e alma que me observa com
os olhos da mente. cabeça baixa. mãos trémulas e braços apoiados nos joelhos
que o sentam. apercebo-me meu irmão, enquanto tento recuperar a compostura para
que não continues tendo tal exemplo. que me perdoes assistir a isto também de mim.
compreendo nestes instantes a tua maneira de ser. quem tanto carrega, por algum lado tem
de vazar.
"cuidado como falas"
gritei-lhe ao inicio pois estaria a cobrar-me o silêncio em que me tentava
controlar. e terá sido o bastante para descontrolar o barulho em mim. enfim, mãe...
este ano percebi que não posso
apoiar a minha vida em ninguém, e que tenho de ser eu o meu único pilar. este
ano perdi duas pessoas que eram a base da minha vida e que é doloroso seguir a
vida sem elas.
percebi que pessoas que nos
apoiam em determinado momento não são sempre nossas amigas, por vezes apenas
querem algo de nós.
aprendi que há mais maldade no
mundo do que aquela que achava ser possível. e que há pessoas que apenas existem
para impedir a felicidade dos outros.
aprendi que a inveja é o alimento
de muita gente, e que não é justo o que fazem comigo.
"And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone, but it goes to waste
Could it be worse?"
aprendi a lutar até ao fim por
aquilo que amava e que nem sempre amor é pago com amor. que nem sempre a luta
nos dá aquilo que merecemos, mas que pelo menos nos deixa a consciência
tranquila.
aprendi que o poder da mentira é
equivalente à morte, e que a dor da perda é um vazio que nos come a alma.
aprendi que sou o meu próprio
herói e que mereço mais do que o que recebo dos outros.
"And I knew for sure I was loved
If I could get another chance, another walk, another dance with him
I-d play a song that would never, ever end
How love, love, love
To dance with my father again"
aprendi que os ídolos não nos
ensinam a viver, mas tu meu avô deste-me todas as bases para ser como tu.
obrigado.
aprendi que os espíritos existem,
que há vida depois da morte, que a bruxaria é possível e não é só como nos
filmes.
"Kick it if back and fof
Bloodely for the best of us never to be alone
Talking about those days
Playing around our ways
Takin’ stocom what’ve got
Never be gonna lies feeling you raped by my side "
aprendi que há pessoas que nos
provam a amizade quando menos esperamos e que aguardamos coisas de quem não tem
nada para dar e aqueles com quem não contámos por vezes nos surpreendem.
aprendi que se podem resolver
problemas de há muito tempo, até anos e que conseguimos tranquilidade com isso.
sinaré, foi bom termos resolvido as coisas.
"If you don't know me by now
You will never never never know me
All the things, that we've been through
You should understand me like I understand you
Now girl I know the difference between right and wrong"
aprendi que nem toda a gente
merece que lutemos contra a nossa própria família por elas e quero continuar
acreditar que Deus programa tudo por um motivo.
"You in the dark
You in the pain
You on the run
Living a hell
Living your ghost
Living your end
Silence is not the way
We need to talk about it"
aprendi que o perdão torna-nos
melhores e o arrependimento nos dá forças para agarrar o mundo.
aprendi que o tempo não nos
elimina a dor, o sofrimento e o desgosto, apenas nos ensina a lidar com eles da
maneira mais crua.
aprendi que a traição pode vir
das pessoas mais próximas e que isso me fez despertar vontades que nunca pensei
serem possíveis em mim. a vossa morte seus filhos da puta.
"What if you could touch my hand
Through the deep sweat sweating
For a guilty, guilty man
And oh no, I tried
I tried"
aprendi que chorar à chuva faz
demonstrar o quanto estamos desgastados, e que os rios para além da sua água
também podem levar as lágrimas que temos para gritar.
aprendi que fugir de casa nos faz
sentir ainda mais sós e que dormir debaixo da ponte não é tão mau como se
julga. descobri que ver as estrelas sem ti é destruir as memórias dos nossos
melhores momentos debaixo delas. e que pedir perdão nem sempre é o suficiente.
aprendi que sou péssimo quando
escrevo bêbedo, mas que isso me dá coragem para falar com quem preciso. e que
me faz tomar consciência do que tenho de fazer em estado sóbrio.
aprendi que por vezes julgamos
que um sentimento não é tão forte como pensamos, e que outras vezes um sentimento
que nos dizem ser tão bravo, afinal não o é.
reaprendi que não vale a pena
fazer projectos a longo prazo, porque o tempo é uma inconstante de instantes.
aprendi que amar é para os
fortes, lutar por ele é para os guerreiros e que o meu amor não se pode dar de
bandeja a quem não me conhece.
aprendi a dar mais valor ao que
sou e a não me rebaixar por quem não fez nada por mim.
aprendi que os sonhos não se desejam,
constroem-se. que o amor precisa que dê tudo por ele e que se não der, não vale
a pena.
aprendi que as pessoas julgam sem
conhecer e acham-se melhores que os outros sem saberem de nós.
"I'm coming up only to hold you under
I'm coming up only to show you wrong
And to know you is hard and we wonder
To know you all wrong, we were"
aprendi que as pessoas que gostam
de nós se esforçam até á ultima pela verdade, e que as que não gostam assim
tanto, desistem da batalha.
deparo-me assim com as minhas conclusões tão frias...enquanto os valores de uma verdadeira amizade forem superiores aos de um falso amor, estarei sempre de consciência tranquila por vos preferir a vós do que a ela. o amor são promessas num fio de ilusões. o sitio onde moro é demasiado pequeno para alguém gostar de mim. a chuva dá-me tempo para chorar, porque esconde o que os meus olhos gritam ao mundo. e se tudo começar a ser demasiado bom, tenho de me preparar para que alguém me desiluda.
para o próximo ano, não quero
pedir muito. apenas que os meus pais se entendam após 3 anos de guerra e que
consiga ter uma relação com eles. que a minha vida ganhe um novo rumo, com uma
nova inspiração. peço um novo amor que me alimente os dias e me queira como
mereço. peço um pouco de felicidade, estabilidade e muito amor. parece pouco,
não quero que o mundo me dê tudo de mão aberta, mas que pelo menos me estenda o
braço para conseguir conquistar tudo isto. não quero partir sem pelo menos ter
tido a experiência de um dia totalmente feliz.
alguns morrem,
outros perdem-se,
uns ficam,
desconhecidos de uma parte de ti
em que ganhar não serve às euforias de te ver
mas lembrar-te também não faz bem
a quem te conheceu e deixou de ser
porque no fundo do peito guardo marcas, que a vida traça e já ninguém tira. e onde dantes vivias tu, agora apenas resta aquilo que me deixaste...o pesar da solidão, agarrada à tristeza da alma.
o silêncio incomoda, é absurdo. mata, tira, destrói. deixa-me com duvidas, enormes pontos de interrogação. deixa-me a pensar, sem saber o que pensar. não me dá nada de ti. não me dá respostas e eu preciso de respostas. de te perceber, de te conhecer, de te ouvir e acolher. mas nada, só me dás o vazio, a indiferença, o não querer saber...o teu desligar...
à noite sentem-se as lágrimas que escorrem pelo rosto, ouvem-se os gritos silenciosos de quem sofre por dentro, vêem-se as feridas que tardam a sarar e por mais uma noite, aguarda-se ansiosamente o fim...mas o fim ainda não chega hoje.
é entre espaços vazios
de realidades incertas
em palavras soltas e imaginadas
nas complexas frases criadas por ti
que eu consigo falar
e deixar-te assim
a conhecer um pouco mais...
de mim.
são frases decoradas
sentimentos irreais
e discursos planeados
na verdade é demonstração de ódio
ou será amor camuflado
nada é sentido realmente
já nem sabes outra maneira de ser
escolhes amar e não querer perder
mas dizendo que vais perdoar
o teu desejo é vê-la morrer.
mutilações de gestos impensados
e buracos em mim de balas perdidas
são reflexos, sim
daquilo que nunca ficou terminado
talvez daquilo que enfim
um dia nem devesse ter começado
conheci-te com os anos
mas fui-te perdendo com os dias
tudo mudou
e tu sabes quando mudou
aliás como foi mudando
hoje já não sou parte de ti
talvez nem parte de mim
no fundo,
só preciso de encontrar-me(te)
só mais uma vez
dois anos de tiroteios e bombardeamentos, hoje assinou-se o tratado de paz...é o fim (melhor, é apenas o inicio). foi o cessar-fogo, as tropas vão-se retirar e entraremos num enorme período de reconstrução.
no fim tomamos consciência que criamos escudos e barreiras de auto-defesa, que já são parte de nós. e isso dificilmente muda, pois adaptamos-nos a mais um molde da nossa maneira de ser.
um divórcio, relações destruídas, e um (re)começar de novo.