quando a velhice deixa de ser um dia longe para ser o dia de
amanhã[...]
quando em cima de uma só pessoa, se depositam todos os
sonhos que impedem o medo de morrer sozinhos de nos invadir novamente a alma[...]
quando o amor é extinguido por um feitiço, para deixar de
ser vivido como um[...]
quando a raiva que nos invade o peito e nos sucumbe o génio
para nos tornar assassinos em justiça daqueles que amamos[...]
quando fugimos das criaturas de salem, mas elas caminham
atrás como sombras no qualquer percurso que determinamos fazer[...]
quando não temos controlo em nada mais se não naquilo que
fingimos ter, é angustiante a verdade de que o mal caminha sempre ao lado do
bem, mordendo com venenos de inveja a felicidade alheia.
se tenho medo? tenho, não de que alguém morra sozinho, mas
sim acompanhado unicamente pelos restos malignos que carregaram as almas de
bem. porque o inferno é a terra, mas apenas para os invejados que sempre terão
uma réstia de amor incandescente no coração.
tenho falado tanto de perdão quando nem eu o consigo dar. não vos perdoo, não vos perdoo porque me roubastes a vida. porque entrastes por ela dentro e acolhi-vos como se fosses da família. abriguei-vos no meu coração e confiei em vós os caminhos do meu destino. não vos perdoo, porque me roubastes dela, porque me roubastes o mundo, porque me roubastes as gargalhadas que os meus olhos davam. os meus olhos já não riem como tantas vezes me disseram. nunca esperei uma traição tão grande de gente tão próxima. como pudestes ver todo o meu sofrimento, ver o quanto que morria de mim a cada dia que passava, ver o quanto eu tinha deixado de ser eu e continuar com esse jogo mesquinho? como pudestes fazer-me tal coisa? como pudestes usar a confiança que vos tinha dado para jogar tão sujo, tão porco de maldade, tão sugado de inveja? como pôde a hipocrisia de um negócio chegar tão longe? como pudestes ver-me a afogar e ainda assim colocar na minha frente os vossos interesses? como puderam os anjos permitir que tanto poder fosse ter às vossas mãos para me dominarem daquele jeito? como pôde tudo isto ser possível? como conseguistes amarrar a minha alma a um penedo, o meu corpo a um chão em chamas e dominar cada passo que dava? odeio-vos, porque me roubastes a vida, aquilo que eu tinha conquistado nos últimos anos, roubaste-me pessoas, objectivos, sentimentos, roubaste-me a ela, roubaste-me o meu avô como se um crime tivesse sido cometido. perdi sem saber como, nos corações que antes olhavam para mim com carinho, amor, respeito e amizade, hoje apenas brota ódio, nojo e repugnância. convosco perdi tudo, ganhei lágrimas, estilhaços e pedaços de raiva. virei louco. eu, vós e uma arma eramos felizes outra vez. voltaria a sorrir quando vos visse cair aos meus pés, mas nem isso me apagaria as memórias, paixões e sentimentos que nunca mais alcançarei. ainda assim, pudesse eu matar-vos seus bruxos filhos da puta. tenho ódio de morte por vós, tenho a maior raiva pelo que me fizeram, sinto-me amordaçado porque destruístes o meu futuro, porque me destes mentiras das quais nunca mais alcançarei perdão, as tais que me afastaram dela e pelas quais nunca mais a terei em meus braços. odeio-vos, pudesse eu acabar com a vossa existência e estaria mais tranquilo.
não há luz que me ilumine, nem
sombra que me carregue. os pecados que nos rogam não nos matam, nem engordam, sublimam-se
no tempo que nos espera. falta de mais ser carne viva, falta de mais ser corpo
molhado, sobra de mais ser eu, seres tu, não nós. sobra nada, sobra tudo, até a
chuva chora comigo e cantamos juntos para ti. mais um fantasma no meu quarto, mais
uma alma que vagueia neste plano enquanto me chama para me levar. vou-me
limpar, este álcool é mais puro que os meus conselheiros, ele não me mente, só
às vezes me ilude como o tempo. esta janela não é mundo, é escrava dos que dela
se servem para espreitar. as luzes estão tristes, as ruas estão presas ao
inferno e o tempo não muda os discos riscados com os mesmos sentimentos de
sempre, as mesmas dúvidas e questões, os mesmos venenos do exterior. o tempo
não muda, não faz nada, não queima nem arde, o tempo não sente, só passa e o
que passa não volta, mas pode começar sempre num novo presente. limpei-me. os
defumos não me afastam os traidores e mentirosos, mas afastam os cinzentos que
me pesam as costas e correm em sombras nesta casa vazia. alimentam-se de mim e
eu alimento-me de amor, que não tenho, por isso me deixo morrer todos os dias
um pouco mais, um pouco menos. sempre menos de mim, sempre mais para ti. o
sempre não existe, mas sempre há-de existir o tempo de nós, o tempo. o amor.
mas nós...nós já fomos de outro tempo e poderíamos ser deste também. em tempo,
de amor. amei-te. talvez sempre te ame, mas o sempre não existe, no tempo. amor.
este ano percebi que não posso
apoiar a minha vida em ninguém, e que tenho de ser eu o meu único pilar. este
ano perdi duas pessoas que eram a base da minha vida e que é doloroso seguir a
vida sem elas.
percebi que pessoas que nos
apoiam em determinado momento não são sempre nossas amigas, por vezes apenas
querem algo de nós.
aprendi que há mais maldade no
mundo do que aquela que achava ser possível. e que há pessoas que apenas existem
para impedir a felicidade dos outros.
aprendi que a inveja é o alimento
de muita gente, e que não é justo o que fazem comigo.
"And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone, but it goes to waste
Could it be worse?"
aprendi a lutar até ao fim por
aquilo que amava e que nem sempre amor é pago com amor. que nem sempre a luta
nos dá aquilo que merecemos, mas que pelo menos nos deixa a consciência
tranquila.
aprendi que o poder da mentira é
equivalente à morte, e que a dor da perda é um vazio que nos come a alma.
aprendi que sou o meu próprio
herói e que mereço mais do que o que recebo dos outros.
"And I knew for sure I was loved
If I could get another chance, another walk, another dance with him
I-d play a song that would never, ever end
How love, love, love
To dance with my father again"
aprendi que os ídolos não nos
ensinam a viver, mas tu meu avô deste-me todas as bases para ser como tu.
obrigado.
aprendi que os espíritos existem,
que há vida depois da morte, que a bruxaria é possível e não é só como nos
filmes.
"Kick it if back and fof
Bloodely for the best of us never to be alone
Talking about those days
Playing around our ways
Takin’ stocom what’ve got
Never be gonna lies feeling you raped by my side "
aprendi que há pessoas que nos
provam a amizade quando menos esperamos e que aguardamos coisas de quem não tem
nada para dar e aqueles com quem não contámos por vezes nos surpreendem.
aprendi que se podem resolver
problemas de há muito tempo, até anos e que conseguimos tranquilidade com isso.
sinaré, foi bom termos resolvido as coisas.
"If you don't know me by now
You will never never never know me
All the things, that we've been through
You should understand me like I understand you
Now girl I know the difference between right and wrong"
aprendi que nem toda a gente
merece que lutemos contra a nossa própria família por elas e quero continuar
acreditar que Deus programa tudo por um motivo.
"You in the dark
You in the pain
You on the run
Living a hell
Living your ghost
Living your end
Silence is not the way
We need to talk about it"
aprendi que o perdão torna-nos
melhores e o arrependimento nos dá forças para agarrar o mundo.
aprendi que o tempo não nos
elimina a dor, o sofrimento e o desgosto, apenas nos ensina a lidar com eles da
maneira mais crua.
aprendi que a traição pode vir
das pessoas mais próximas e que isso me fez despertar vontades que nunca pensei
serem possíveis em mim. a vossa morte seus filhos da puta.
"What if you could touch my hand
Through the deep sweat sweating
For a guilty, guilty man
And oh no, I tried
I tried"
aprendi que chorar à chuva faz
demonstrar o quanto estamos desgastados, e que os rios para além da sua água
também podem levar as lágrimas que temos para gritar.
aprendi que fugir de casa nos faz
sentir ainda mais sós e que dormir debaixo da ponte não é tão mau como se
julga. descobri que ver as estrelas sem ti é destruir as memórias dos nossos
melhores momentos debaixo delas. e que pedir perdão nem sempre é o suficiente.
aprendi que sou péssimo quando
escrevo bêbedo, mas que isso me dá coragem para falar com quem preciso. e que
me faz tomar consciência do que tenho de fazer em estado sóbrio.
aprendi que por vezes julgamos
que um sentimento não é tão forte como pensamos, e que outras vezes um sentimento
que nos dizem ser tão bravo, afinal não o é.
reaprendi que não vale a pena
fazer projectos a longo prazo, porque o tempo é uma inconstante de instantes.
aprendi que amar é para os
fortes, lutar por ele é para os guerreiros e que o meu amor não se pode dar de
bandeja a quem não me conhece.
aprendi a dar mais valor ao que
sou e a não me rebaixar por quem não fez nada por mim.
aprendi que os sonhos não se desejam,
constroem-se. que o amor precisa que dê tudo por ele e que se não der, não vale
a pena.
aprendi que as pessoas julgam sem
conhecer e acham-se melhores que os outros sem saberem de nós.
"I'm coming up only to hold you under
I'm coming up only to show you wrong
And to know you is hard and we wonder
To know you all wrong, we were"
aprendi que as pessoas que gostam
de nós se esforçam até á ultima pela verdade, e que as que não gostam assim
tanto, desistem da batalha.
deparo-me assim com as minhas conclusões tão frias...enquanto os valores de uma verdadeira amizade forem superiores aos de um falso amor, estarei sempre de consciência tranquila por vos preferir a vós do que a ela. o amor são promessas num fio de ilusões. o sitio onde moro é demasiado pequeno para alguém gostar de mim. a chuva dá-me tempo para chorar, porque esconde o que os meus olhos gritam ao mundo. e se tudo começar a ser demasiado bom, tenho de me preparar para que alguém me desiluda.
para o próximo ano, não quero
pedir muito. apenas que os meus pais se entendam após 3 anos de guerra e que
consiga ter uma relação com eles. que a minha vida ganhe um novo rumo, com uma
nova inspiração. peço um novo amor que me alimente os dias e me queira como
mereço. peço um pouco de felicidade, estabilidade e muito amor. parece pouco,
não quero que o mundo me dê tudo de mão aberta, mas que pelo menos me estenda o
braço para conseguir conquistar tudo isto. não quero partir sem pelo menos ter
tido a experiência de um dia totalmente feliz.
o corvo cospe-te o sangue,
e a pena tens-na despida,
a morte fala tão negra,
deixa-te cruzes na barriga.
e foste tu quem ficou lá,
sombras do seu próprio vulto,
onde até os esgotos sabem q'isto sabe a chá de culto
e o chá, sou eu um tipo que o tomo,
porque mandaste à morte um mapa,
com a tigela d'onde eu como.
e a malga ficou partida,
e verte o sangue negro de mal,
que um corvo tem na barriga
não, eu não sou um animal,
mas esta pele já queimada,
deixa-te feridas em carne assada
e isso aí também é o coração
porque nem assim m'arrependo
do dia que te dei a mão.
eu, tenho saudades de um ti,
qualquer ti que fosse um nome,
que também goste de mim.