Almas

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20130902

brindemos


cadeira vazia. seguro em ombros de vento, deixando as mãos procurarem por ti. toalha lavada, já não gasta sabores teus. nada é tinto ou azeite. nem paredes são mais rompidas a cheiros e a campo. comamos em paz com quem não se vê presente. oh saudade, és tão ingénua quando nos matas os corpos. procure-se luz e encontre os segredos do mar. procure-se a noite e encontre teus filhos em sombras por trás de parapeitos aclarados por um pequeno sol nocturno que nos arde. de certo amor, já que a morte é um lugar vazio no olhar de quem resiste a ver o mundo acima da terra. apetite de punição para semelhança de ti. doentio, és. viver é doloroso o suficiente para ocupar o vazio de angustias e vontades macabras. comemoremos a razão de nascer. sustenho um brinde enquanto procuro teu copo. depois amo-te, porque te encontro na alma. desenho-te em tecidos velhos de flanela e sobrevivo ao pó que em meus olhos pousa como desculpa para chorar. "é alergia". viver é o tempo, enquanto sorrio com felicidades inconsequentes que me branqueiam o mofo. possa ela dar-me sempre vida. é setembro, venho cinzento, "ai que rica chuvinha", venha a noite. vás tu enquanto fiques, fique ela enquanto vem.

20130122

"olha o nosso johnson kid"



sentei-me no meu banco de todos os domingos. aquela pedra negra onde encosto a cabeça no teu retracto. já não tento chorar. já não tento sentir-te. não te vejo, quando me acalmo naquela campa e te desejo sem fim. não te vejo, jamais te verei nestes tempos, nem nos outros. nos outros em que os segundos respiram a morte do teu corpo, nos outros em que os fantasmas me medem o peito para enchê-lo de angústia. não te sinto comigo, nem julgo ver-te nos sonhos. perdoa-me não te sentir como queria. peço-te, um abraço com o teu sorriso quente, todos os dias quando lá fico. mando-te beijos sempre que lá passo. tu não voltas, mas era eu quem não devia voltar. johnson kid. fica a eterna lembrança da graça que só tu me sopravas ao coração e a saudade de tais palavras no tom paterno da tua voz. amo-te mais que a vida, pertenço-te para lá da morte. venero-te na omnipresência do chão que ainda piso. amo-te, saudade.

20130102

odeio-vos, pudesse eu matar-vos

tenho falado tanto de perdão quando nem eu o consigo dar. não vos perdoo, não vos perdoo porque me roubastes a vida. porque entrastes por ela dentro e acolhi-vos como se fosses da família. abriguei-vos no meu coração e confiei em vós os caminhos do meu destino. não vos perdoo, porque me roubastes dela, porque me roubastes o mundo, porque me roubastes as gargalhadas que os meus olhos davam. os meus olhos já não riem como tantas vezes me disseram. nunca esperei uma traição tão grande de gente tão próxima. como pudestes ver todo o meu sofrimento, ver o quanto que morria de mim a cada dia que passava, ver o quanto eu tinha deixado de ser eu e continuar com esse jogo mesquinho? como pudestes fazer-me tal coisa? como pudestes usar a confiança que vos tinha dado para jogar tão sujo, tão porco de maldade, tão sugado de inveja? como pôde a hipocrisia de um negócio chegar tão longe? como pudestes ver-me a afogar e ainda assim colocar na minha frente os vossos interesses? como puderam os anjos permitir que tanto poder fosse ter às vossas mãos para me dominarem daquele jeito? como pôde tudo isto ser possível? como conseguistes amarrar a minha alma a um penedo, o meu corpo a um chão em chamas e dominar cada passo que dava? odeio-vos, porque me roubastes a vida, aquilo que eu tinha conquistado nos últimos anos, roubaste-me pessoas, objectivos, sentimentos, roubaste-me a ela, roubaste-me o meu avô como se um crime tivesse sido cometido. perdi sem saber como, nos corações que antes olhavam para mim com carinho, amor, respeito e amizade, hoje apenas brota ódio, nojo e repugnância. convosco perdi tudo, ganhei lágrimas, estilhaços e pedaços de raiva. virei louco. eu, vós e uma arma eramos felizes outra vez. voltaria a sorrir quando vos visse cair aos meus pés, mas nem isso me apagaria as memórias, paixões e sentimentos que nunca mais alcançarei. ainda assim, pudesse eu matar-vos seus bruxos filhos da puta. tenho ódio de morte por vós, tenho a maior raiva pelo que me fizeram, sinto-me amordaçado porque destruístes o meu futuro, porque me destes mentiras das quais nunca mais alcançarei perdão, as tais que me afastaram dela e pelas quais nunca mais a terei em meus braços. odeio-vos, pudesse eu acabar com a vossa existência e estaria mais tranquilo.

20121227

365 fin


este ano percebi que não posso apoiar a minha vida em ninguém, e que tenho de ser eu o meu único pilar. este ano perdi duas pessoas que eram a base da minha vida e que é doloroso seguir a vida sem elas.

percebi que pessoas que nos apoiam em determinado momento não são sempre nossas amigas, por vezes apenas querem algo de nós.

aprendi que há mais maldade no mundo do que aquela que achava ser possível. e que há pessoas que apenas existem para impedir a felicidade dos outros.

aprendi que a inveja é o alimento de muita gente, e que não é justo o que fazem comigo.


 "And the tears come streaming down your face
 When you lose something you can't replace
 When you love someone, but it goes to waste
 Could it be worse?"
aprendi a lutar até ao fim por aquilo que amava e que nem sempre amor é pago com amor. que nem sempre a luta nos dá aquilo que merecemos, mas que pelo menos nos deixa a consciência tranquila.

aprendi que o poder da mentira é equivalente à morte, e que a dor da perda é um vazio que nos come a alma.

aprendi que sou o meu próprio herói e que mereço mais do que o que recebo dos outros.


"And I knew for sure I was loved
 If I could get another chance, another walk, another dance with him
 I-d play a song that would never, ever end
 How love, love, love
 To dance with my father again"

aprendi que os ídolos não nos ensinam a viver, mas tu meu avô deste-me todas as bases para ser como tu. obrigado.

aprendi que os espíritos existem, que há vida depois da morte, que a bruxaria é possível e não é só como nos filmes.


"Kick it if back and fof 
Bloodely for the best of us never to be alone 
Talking about those days 
Playing around our ways 
Takin’ stocom what’ve got 
Never be gonna lies feeling you raped by my side "

aprendi que há pessoas que nos provam a amizade quando menos esperamos e que aguardamos coisas de quem não tem nada para dar e aqueles com quem não contámos por vezes nos surpreendem.

aprendi que se podem resolver problemas de há muito tempo, até anos e que conseguimos tranquilidade com isso. sinaré, foi bom termos resolvido as coisas.


"If you don't know me by now
 You will never never never know me
All the things, that we've been through
 You should understand me like I understand you
 Now girl I know the difference between right and wrong"

aprendi que nem toda a gente merece que lutemos contra a nossa própria família por elas e quero continuar acreditar que Deus programa tudo por um motivo.


"You in the dark
You in the pain
You on the run
Living a hell
Living your ghost

Living your end

Silence is not the way
We need to talk about it"

aprendi que o perdão torna-nos melhores e o arrependimento nos dá forças para agarrar o mundo.

aprendi que o tempo não nos elimina a dor, o sofrimento e o desgosto, apenas nos ensina a lidar com eles da maneira mais crua.

aprendi que a traição pode vir das pessoas mais próximas e que isso me fez despertar vontades que nunca pensei serem possíveis em mim. a vossa morte seus filhos da puta.


"What if you could touch my hand
 Through the deep sweat sweating
 For a guilty, guilty man
And oh no, I tried
 I tried"


aprendi que chorar à chuva faz demonstrar o quanto estamos desgastados, e que os rios para além da sua água também podem levar as lágrimas que temos para gritar.

aprendi que fugir de casa nos faz sentir ainda mais sós e que dormir debaixo da ponte não é tão mau como se julga. descobri que ver as estrelas sem ti é destruir as memórias dos nossos melhores momentos debaixo delas. e que pedir perdão nem sempre é o suficiente.

aprendi que sou péssimo quando escrevo bêbedo, mas que isso me dá coragem para falar com quem preciso. e que me faz tomar consciência do que tenho de fazer em estado sóbrio.

aprendi que por vezes julgamos que um sentimento não é tão forte como pensamos, e que outras vezes um sentimento que nos dizem ser tão bravo, afinal não o é.

reaprendi que não vale a pena fazer projectos a longo prazo, porque o tempo é uma inconstante de instantes.

aprendi que amar é para os fortes, lutar por ele é para os guerreiros e que o meu amor não se pode dar de bandeja a quem não me conhece.

aprendi a dar mais valor ao que sou e a não me rebaixar por quem não fez nada por mim.

aprendi que os sonhos não se desejam, constroem-se. que o amor precisa que dê tudo por ele e que se não der, não vale a pena.

aprendi que as pessoas julgam sem conhecer e acham-se melhores que os outros sem saberem de nós.


"I'm coming up only to hold you under
 I'm coming up only to show you wrong
 And to know you is hard and we wonder
 To know you all wrong, we were"

aprendi que as pessoas que gostam de nós se esforçam até á ultima pela verdade, e que as que não gostam assim tanto, desistem da batalha.

deparo-me assim com as minhas conclusões tão frias...enquanto os valores de uma verdadeira amizade forem superiores aos de um falso amor, estarei sempre de consciência tranquila por vos preferir a vós do que a ela. o amor são promessas num fio de ilusões. o sitio onde moro é demasiado pequeno para alguém gostar de mim. a chuva dá-me tempo para chorar, porque esconde o que os meus olhos gritam ao mundo. e se tudo começar a ser demasiado bom, tenho de me preparar para que alguém me desiluda.

para o próximo ano, não quero pedir muito. apenas que os meus pais se entendam após 3 anos de guerra e que consiga ter uma relação com eles. que a minha vida ganhe um novo rumo, com uma nova inspiração. peço um novo amor que me alimente os dias e me queira como mereço. peço um pouco de felicidade, estabilidade e muito amor. parece pouco, não quero que o mundo me dê tudo de mão aberta, mas que pelo menos me estenda o braço para conseguir conquistar tudo isto. não quero partir sem pelo menos ter tido a experiência de um dia totalmente feliz.

que seja o que Jesus quiser. beijos.

20120917

ai vida, ai morte


ai vida que eu nao tenho
tenho a morte no meu lar
chora o coro no meu ombro
chora o tempo a passar

grita a voz duma foicinha
foiça despe-se ao luar
lua dos filhos das vinhas
do vinho que há-de matar

sobes luz para o meu alto
alto esse o meu rezar
rezo cruzes e cantigas
canto por quem hei-de chorar

choro tanto porque vejo
sangue em feridas de lutar
luto negro dos meus olhos
olhos tristes de esperar

e eu esperei lá para te ver
eu vi-te para abraçar
abracei o teu vazio
vazei por não te encontrar

encontrei a morte em mim
de mim que quero falar
falar da morte do anjo
anjo teu do meu guardar

guarda a alma já velhinha
velho o rosto da manhã
manhã trajada de branco
branco o sentido que está

está a morte q'ainda tenho
tenho o luto no meu lar
choro a perda do teu corpo
choro o tempo que faltar.

20120712

elas e nele um pai

sobem rua acima nas noites escuras sem luar e as sombras que passam da luz trazem nelas a mesma companhia de sempre, a brisa de quem já foi. esse que já não vês mas que se faz sentir quando em ti bate a sua imagem. ele que está sempre contigo, talvez no espaço vazio que surge entre o vosso aperto de mãos e vos mantém firmes, ou ainda sobre vós transmitindo protecção para o que aí há-de vir. sem medo, continuam a subir todos as noites a calçada despida e assombrada, como se fosse o medo a ter medo de se aproximar. ele ajuda-as certamente, não esse mas o tempo, pois ele já só tem de manter nas memórias o cantar que as faz(ia) viver a sorrir.

20120228

sangue na alma

caminha lado a lado
luz negra em funda vala
tudo pesa, sente medo que nos chama
tudo aperta, rasga-se calor de quem te ama
tudo sofre, tudo volta a caminhar.
desespera, em vontade de gritar,
tudo chora, tudo pede que te salve
venha em voz que nos acalme
e que perdure o anjo que ainda não te leve,
só te deixe ficar