Almas

20140127

foda-se



epilepsia estática, os olhos param, o tempo corre enquanto o pensamento esbate. rebato consequências e infortúnios irresponsáveis junto de esperanças incrédulas. faltam-me os compromissos e seguro a respiração num longo e sofrido ar inspirado. odeio quando me falha e não resisto a que me magoem. é impressionante como abdicam de mim, quando não sentem o futuro. é tão triste que me rói os ossos por dentro a preocupação que me assiste de um futuro não imaginado. se queres saber de mim, procura-me na responsabilidade desses actos. não suporto que me danem a estrutura em que me suporto, nem tampouco que não cuidem do presente, assegurando o certo para o futuro.

e isto é tudo uma merda, e em palavras brutas e aliviadas quero dizer: faltaste a um compromisso, magoaste-me, desiludiste-me e estou triste com isso. puseste em risco um futuro com desculpas que não servem à situação. não suporto o tom da irresponsabilidade e a falta de reacção aos erros cometidos. quando o erro é grande e não se tenta sequer a emenda. que seja egoísta, que pense apenas no meu bom futuro é certo, mas foda-se se não é isso que eu quero. foda-se se essa atitude me fode com os planos da vida. foda-se tudo, só. foda-se. (porque é esta a única forma onde me deixo desabafar a verdade)

20140120

heroína para amanhã


uma luz se esvai em agonia em noites de mar e céu, atrás das montanhas.  sucumbe-se entre dízimos de fumo e linhas carbonizadas por pó e agulhas. picadas encobertas entre mangas de lã e pele, olhares distorcidos e pedradas que agitam o miolo com segredos meio mortos. é como sopa às colheradas de alimento que dá fome, e degredo. chamo-me osíris e hoje procuro companhia no deserto e na verdade. suam-me os poros entre os gemidos dos lobos. sejamos lobisomens livres, pois se não nos conhecem também fingirão não nos ver. rasgue-se a vida, que os dedos toquem o lume e se mande mais uma dose. a noite é nossa heroína, e o medo nosso herói. corram-se em veias esmigalhadas de ternura fuzilada, e mordam-se todos nesta febre fragmentada de ódios, que precisamos de outra noite para amanhã. e precisamos de heroína para amanhã. amanhã. 

20140117

e o amor já lhes foi tanto


leva-me as memórias, disse-me num relance em que os olhos chocaram ao sabor do vento. tenso romantismo bélico no amargo de sorrisos tontos incontrolados. os ombros batem, os ossos latejam em contracções musculares incompatíveis com o tempo. a alma parte no corpo e o coração não pára mas abranda num sopro de passado. e rostos cansados negam-se ao nada, e o amor já lhes foi tanto. reis de espadas, damas de prata e bruxaria vesana, tresandando a fetiches de suor deste mundo e do outro, tudo no mesmo copo vazio. os seus olhos são fundos presos no negrume das sombras, e os dele, os banhos de luz que lhe enche o espirito do passado, já que o do presente nunca encontrará tão doce pranto, tão puro beijo de sangue. não serão precisas palavras a mais para sílabas a menos, afeições imprudentes em linhas de vida radioactivas, nem tampouco mostrar lágrimas se o alívio continuar intemporalmente definido ao olhar. e eles olham, e sentem, e o amor ainda é tanto.