uma luz se esvai em agonia em
noites de mar e céu, atrás das montanhas.
sucumbe-se entre dízimos de fumo e linhas carbonizadas por pó e agulhas.
picadas encobertas entre mangas de lã e pele, olhares distorcidos e pedradas que
agitam o miolo com segredos meio mortos. é como sopa às colheradas de alimento que
dá fome, e degredo. chamo-me osíris e hoje procuro companhia no deserto e na
verdade. suam-me os poros entre os gemidos dos lobos. sejamos lobisomens livres, pois se
não nos conhecem também fingirão não nos ver. rasgue-se a vida, que os dedos
toquem o lume e se mande mais uma dose. a noite é nossa heroína, e o medo nosso
herói. corram-se em veias esmigalhadas de ternura fuzilada, e mordam-se todos
nesta febre fragmentada de ódios, que precisamos de outra noite para amanhã. e
precisamos de heroína para amanhã. amanhã.