Almas

20140120

heroína para amanhã


uma luz se esvai em agonia em noites de mar e céu, atrás das montanhas.  sucumbe-se entre dízimos de fumo e linhas carbonizadas por pó e agulhas. picadas encobertas entre mangas de lã e pele, olhares distorcidos e pedradas que agitam o miolo com segredos meio mortos. é como sopa às colheradas de alimento que dá fome, e degredo. chamo-me osíris e hoje procuro companhia no deserto e na verdade. suam-me os poros entre os gemidos dos lobos. sejamos lobisomens livres, pois se não nos conhecem também fingirão não nos ver. rasgue-se a vida, que os dedos toquem o lume e se mande mais uma dose. a noite é nossa heroína, e o medo nosso herói. corram-se em veias esmigalhadas de ternura fuzilada, e mordam-se todos nesta febre fragmentada de ódios, que precisamos de outra noite para amanhã. e precisamos de heroína para amanhã. amanhã.