Almas

20130902

brindemos


cadeira vazia. seguro em ombros de vento, deixando as mãos procurarem por ti. toalha lavada, já não gasta sabores teus. nada é tinto ou azeite. nem paredes são mais rompidas a cheiros e a campo. comamos em paz com quem não se vê presente. oh saudade, és tão ingénua quando nos matas os corpos. procure-se luz e encontre os segredos do mar. procure-se a noite e encontre teus filhos em sombras por trás de parapeitos aclarados por um pequeno sol nocturno que nos arde. de certo amor, já que a morte é um lugar vazio no olhar de quem resiste a ver o mundo acima da terra. apetite de punição para semelhança de ti. doentio, és. viver é doloroso o suficiente para ocupar o vazio de angustias e vontades macabras. comemoremos a razão de nascer. sustenho um brinde enquanto procuro teu copo. depois amo-te, porque te encontro na alma. desenho-te em tecidos velhos de flanela e sobrevivo ao pó que em meus olhos pousa como desculpa para chorar. "é alergia". viver é o tempo, enquanto sorrio com felicidades inconsequentes que me branqueiam o mofo. possa ela dar-me sempre vida. é setembro, venho cinzento, "ai que rica chuvinha", venha a noite. vás tu enquanto fiques, fique ela enquanto vem.