cadeira vazia. seguro em ombros
de vento, deixando as mãos procurarem por ti. toalha lavada, já não gasta
sabores teus. nada é tinto ou azeite. nem paredes são mais rompidas a cheiros e
a campo. comamos em paz com quem não se vê presente. oh saudade, és tão ingénua
quando nos matas os corpos. procure-se luz e encontre os segredos do mar.
procure-se a noite e encontre teus filhos em sombras por trás de parapeitos aclarados
por um pequeno sol nocturno que nos arde. de certo amor, já que a morte é um
lugar vazio no olhar de quem resiste a ver o mundo acima da terra. apetite de punição
para semelhança de ti. doentio, és. viver é doloroso o suficiente para ocupar o
vazio de angustias e vontades macabras. comemoremos a razão de nascer. sustenho
um brinde enquanto procuro teu copo. depois amo-te, porque te encontro na
alma. desenho-te em tecidos velhos de flanela e sobrevivo ao pó que em meus
olhos pousa como desculpa para chorar. "é alergia". viver é o tempo, enquanto sorrio com
felicidades inconsequentes que me branqueiam o mofo. possa ela dar-me sempre
vida. é setembro, venho cinzento, "ai que rica chuvinha", venha a
noite. vás tu enquanto fiques, fique ela enquanto vem.