rouba-me a pele. leva-me noite, sussurra-me
borboleta enquanto o tempo nos guarda e voa. poderiam as névoas segurar o
brilho das estrelas, mas nunca o nosso, pois nunca o negro brilhou tanto por
mim. oh lua, não tires a luz destes corpos teus. escuta os silêncios deste mar,
que nos leva e trás, que nos vê e esconde por vales de vento. segredos. somos
belezas históricas de infortúnio, pedaços alheios passados, talvez a sorte
nunca tenha sido a nossa melhor madrinha. contasse eu os grãos da areia pra me
perder em ti, nos números infinitos para onde o olhar te foge. ai essa alma, nos
caminhos da minha. outra vida. outro destino nos terá cruzado as palmas da mão,
seguindo a corrente que nos afaga o peito e se humedece nos lábios. oh esses
ombros. oh quente corpo, despe-me os sonhos enquanto construímos beijos e
lava-me nos tons de sal dos teus vestidos mais desnudos. encontra-me nos teus
olhos enquanto o tempo nos guarda e voa. rouba-me o tempo, para que nunca te perca
o presente.