senti os teus ossos dispararem as
tuas esperanças vazias. cada uma recheada dos temores sobre a vossa morte. eu
conseguiria amar o teu fantasma e viver sem confiança nos restos de espaço do teu
peito, mas continuaria a viver sem ti. fazer círculos de veias mortas, sempre
foi o nosso maior mal. ai a rotina é tão medíocre. queima-la era o acerto certo
na ponta errada, mas um circulo não tem pontas, por muito que o fogo seja sinal
de vida. mesmo que víssemos uma ponta que ainda pudesse arder, ela não
existiria realmente. lembras-me de respirar com vida. afinal respirar é viver,
mas como um defunto que nunca morreu. cada suspiro é um trago boca-a-boca em
que não me vês, mas recordas. a bela amnésia que tanto gostas, não é um pedaço
de nenhum amor, mas sim o único pedaço que resta do teu amor. a pior lembrança é que está tudo tão
escrito como a dor. é já uma lenda em que homens se reuniram para formar
coros e protagonizar a sinfonia do aDeus, menos um que já não te quer, querendo. todos a seu lado, só não os viste,
porque afinal ver é viver, mas nem todos enxergam defuntos. é tudo tão eterno que por vezes o ceu é inferno, mas desses faz-se suor e das lágrimas proezas. não sou rei,
nem príncipe, mas choro como um homem grande. lágrimas de sal quente nesse mar, o suficiente
para queimar a pele onde tal leito passou e onde tal coração morreu. onde tal morte vive.