escurece dia para que o corvo
pareça feliz. apaga farol que existem sorrisos antigos a chorar. não os quero
lembrar. as memórias são terríveis, não por lembrarem almas passadas, mas
porque sabem a saudade. "ai vida". amor, nunca bebemos vinho. talvez
devêssemos falar sobre isso. e beber do que não bebemos. acho que tudo correria
ao contrário porque o ódio também se chama de amor. e acho que tudo correria ao
contrário porque nunca falámos sobre verdades.
(…)
as pessoas amam-se em silêncio demasiadamente. as pessoas amam-se demasiadamente para lá da morte. tempo é o silêncio do amor. é
quente quando dois corpos partilham a mesma alma e gelado quando duas almas se
perdem de qualquer corpo. e divagam. e sofrem. e morrem. o tempo só não resolve
o que o orgulho não quer. e feitios. e era isso que eu admirava em ti, nunca
pensei que se virasse contra mim.
(…)
devias ter percebido os beijos de
saudade nas letras de cada mensagem. devias ter sentido saudade, e se a
sentiste devias ter desejado que terminasse. ou que continuasse apenas quando
não estivesse por perto. precisava perceber quanto tempo foi real depois da morte.
desculpa se não entendi. desculpa se morri antes de morrermos. só te culpo por
sermos demasiado iguais, por seres demasiado tu sem mim. só te culpo por não te esquecer. certamente que esse, foi o único feitiço. beijo.