vem descalça. sopra-me ao ouvido
como o tempo. risca-me mistérios de pureza, inundados em lágrimas como da
primeira vez que te amei em segredo. esgota-me o toque dos ossos que estalam
saudade e arrepia-me a pele com toques de poesia das linhas da tua mão. esquece
o passado, amor, só hoje. remoei-me o que nos aconteceu e ama-me como antes. ou
mais como nunca. só o desejava verdade. sobrevive ao aDeus, ele não foi opção
nem desejo. nem nunca será por muito que o esconda. eu faria o céu chover para
que as gotas te levassem a mensagem. eu escolheria a morte para que soubesses a
verdade de tudo. eu tremeria com o mundo para que a tua voz se dirigisse a mim.
e depois disso morreria em paz, para que te visse em vestidos de águas brancas.
para que me despedisse realmente, como nunca pude fazer. para que visse os teus
olhos de relances mágicos e soubesse que um dia me amaste como um anjo que não
sou. morreria se escolhesses e viveria se me escolhesses. perdão, por te amar
de jeitos que só eu entendo, por jeitos que só eu me adaptei, por jeitos que um
tempo nunca esquecerá, quem sabe uma nova vida. quem sabe que jeitos o tempo
remoerá, como o mar que já te levou, mas trouxe tantas vezes, e nunca me deixa
desamar-te em jeito nenhum. desejo e quero. e querer-te não deveria ser mais
opção. mas o tempo remói, e o passado é presente tantas vezes, que a certeza é não te poder esquecer. desejo.