Almas

20130617

cravo amor, em letras


cravo letras porque as vozes estão mudas. perdões nunca foram contados tal como a fome que nos dependia um do outro. cravo letras no passado porque talvez ainda o sinta. paixões nunca foram valorizadas tal como o sentimento que nos dependia um do outro. fui do tempo tanto tempo que perdi nele os nossos segundos. e poderia ele ser tempo teu se soubesse amar-te como eu. fui do tempo tanto tempo que erros foram perpetuados nos nossos segundos. e poderiam eles ser amor teu se soubessem o quanto te amo. sou uma alma de anjo, mas cravei sofrimento como um corpo de diabo. o tempo é um apetite incurável que crava e descrava, que ama e odeia para que o amor pareça indiferente. o tempo é um apetite incurável que crava e descrava, que sente e relembra para que os amores verdadeiros sejam jovens inocentes, amaldiçoados de eternidade. cravo letras porque a morte é um sorriso para a alma. oportunidades são esquecidas porque a falta de alguém não é maior que a dor que ela nos causou. cravo letras porque a morte não vem e o amor nunca há-de passar. nenhum merecia que o presente fosse tão passado quanto as letras que nunca me amaram, mas tampouco o passado merecia as letras que te amaram e foram incapazes de te chegar como o amor que não se esquece. enfim.