morri tantas vezes que desta vez
engasgo-me se vivo. flores são só flores, nunca entendi como há quem ouse ver
mais do que elas são. poderia doar a minha alma a Deus, talvez ela fizesse mais
sentido nas mãos de um desgraçado que depositou em mim tudo aquilo que as
flores não podem fazer sorrir. flores são só flores, como o vinho é só vinho, a
não ser aquilo que dele nos surge. cada gole é um trago de amargura destapada
por um sorriso que pede lágrimas. ah o quanto eu gostaria de chorar, já que os
sorrisos nada me conquistam. já que as flores nada me brotam, só saudade de
seres de mim o escárnio que a feitiçaria me roubou. flores são só flores, mas as
rosas são diferentes. há uma beleza traiçoeira nas pétalas que se roubam de
frieza, há sangue virgem que sobra dos espinhos que não se dão, mas amaria dar!
vivi tantas vezes que desta vez despeço-me se morro. flores são só flores.
vinho é só vinho. e amor é só amor, enquanto não for a morte que ousamos
surgir. flores são só amor. e morte quando quisermos. e eu daria a minha alma a
Deus, para que não tivesse de sentir mais o peso de tanta rosa que não vive,
nem morre. apenas vinho que nos chora sorrisos e nos engasga o coração.