o sol brilha das colinas e eu
vejo-lhe o sentido, tal como os mantos que carregaste um dia e que despiste com
a morte para um longo infinito eterno. as árvores onde os corvos se pintavam eram
símbolo de paz embebida de negro que me fazia sorrir. hoje, já não fazem. das peles onde encostavam
arames farpados, hoje não resta nada. ou então talvez reste tudo. tudo que as
agulhas não puderam coser pois os banhos de sangue não eram suficientemente perceptíveis
perante a dimensão das feridas. e ainda assim existe a saudade dessa dor mais cravada no tempo, em
que um milagre não era uma dádiva de Deus, porém era um achado de ti. enquanto te
amava sem garantia e enquanto me repudiavam por ser eu. mas, que não sou mais. e
se do corpo resta o pó depois da morte, da minha alma restam as cinzas que anseiam reincendiar.
uma transformação de calor que virá da vida de ti, quando aqui chegares em nova
alma. num corpo que alimente o meu, sem esperanças de morrer cedo, mas que tampouco
viva até tarde de mais. porque amar demais é erro, tal como o tempo.