já não há bailarinas nem cartas
beijadas no papel. já não há caixas de música e o ballet não é coisa de
princesas. o romantismo já não é coisa de princesas. eu sou tão delas que me perco sempre de mim e ainda assim sou
tão eu que me perco sempre delas. e elas. elas são tão belas de mais que quando
se perdem de mim, encontram-se em si. sou um labirinto de maus pedaços de vida
e nem todas as princesas dão a mão a vadios como eu. aprendi a não precisar delas, nem de demónios. só conto com os anjos e até eles às vezes parecem
me falhar. aprendi a não precisar de ninguém, estar sozinho não me assusta
porque sou boa companhia. eu. eu já fui feliz (sem saber) e nesse enquanto todo
o mal me alimentava a esperança de ser triste (sem querer). a gente sabe tanto
quando não quer e quer tanto sem saber. talvez não faça sentido sonhar ser
triste, mas para mim faz menos sentido ainda ser feliz sem entristecer com
nada. nunca me deixaram ser assim. feliz. só feliz, sem saber querer ser
triste. eu. eu já tive uma família, mas tenho uma coisa dentro de mim que me
sobrevive no corpo e a matou. um vagabundo dentro de mim que a matou por me
roubarem a tristeza. tal como a tristeza me matou o medo quando me roubaram a
alma. e vivo assim, (sem saber) ser feliz e (sem querer) ter medo de ser
triste, para quando as princesas me puderem dar a mão. e vivo assim, (sem querer)
ser príncipe e (sem saber) cuidar de princesas. o romantismo já não é coisa
de princesas. nem de príncipes, só de monstros. porque os monstros tem o toque
da tristeza que faz amar (tristemente) feliz. e eu. ainda gosto de caixas de
música (sem saber) e da rebeldia escondida nas cartas de papel (sem querer). sou um monstro e os monstos são felizes quando amam. românticos. tristes. princesas.