Almas

20130715

olá de despedida


olá velho. tens olheiras bonitas e sorriso chorado. conheço-te? és-me familiar nos detalhes da pele queimada. conheces-me? olhas-me com olhar de quem me sentiu! olá viúvo. tens uma aura que te ama a eternidade e um capuz escuro que aconchega a cabeça. o amor nunca parte, o que parte é o sentido de existir. olá arquitecto, das palavras de silêncio, das letras meias roucas. és parecido com um dos meus anjos. és jovem o suficiente para me conheceres...talvez demasiado bem, nem eu quereria tanto. olá amor, tenho fingido que me detesto, na verdade gosto-me tanto que me mato. não me conheces, por isso sempre me enganaste. por isso partes como o tempo que não volta, todos os dias mais história. olá corvo, quando te tornaste tão belo? ainda és mensageiro da noite, por isso manténs a madrugada acordada? perdi cartas infinitas à lua, com nomes de princesas. obrigado por as teres encontrado aqui. espera corvo, és meu agora. admiro-te o corpo negro de bem e os olhos com que observas as almas. olá criança, tens memórias travadas por bloqueios maléficos. a amnésia pode ser bela. o cancro é feio. trocou-te demasiadas lágrimas e o sufoco sempre foi a tua maior depressão. mas aprendeste a escrever. olá feto que já corres. não te desejo mal, como a ninguém, mas sei tanto da tua vida que não te arrependerias de ser trocado na semente. a morte à nascença é mais bela. a morte à nascença não seria tão dura quanto a vida. um anjo que não sofreria a verdade. olá kowo, arriscas a escrever a tua morte só por conheceres um passado constante de misérias? és um nada de Deus, mas sê um pedaço de terra e planta a tua fé. alberga os teus crentes e dá-lhes amor. como o judeu. como o próprio amor que tanto afastas.

5 comentários:

  1. asas negras funestas em incêndios de memórias que voam sobre todos nós... vim ler.te - Torna-se um vício lol.

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  2. "...sê um pedaço de terra e planta a tua fé..."
    Adoro, genial.

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  3. Imaginei realmente cada personagem ao ler o teu texto :) Identifiquei como sendo um auto-retrato e continuo a adorar a obscuridade deliciosa dos teus textos! Espero que seja um "Olá de sempre" e não um "Olá de despedida"! ;)

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