o fado não é cantado, é chorado pela alma, gemido pela voz
e tremido pelos olhos que o envolvem. é agonia sentida e desvivida, sem o
sentido com que sentes a vida. a tristeza das suas mortes no pranto louco dos
nossos braços. a morte no pranto da nossa tristeza. a tristeza no pranto da nossa
morte. a morte em melodia. o choro da melodia. as lágrimas do coração. a alma
no coração, quando a cabeça sente antes do corpo. morto. quando o amor se chora
em forma de uma guitarra partida. quando o amor se sente português, chora-se em
ti, fado. -meu fado, meu-. meu amor, tão triste, -numa casa portuguesa ficou
bem-, com o -povo que lavou um rio, de lágrimas-.
20130123
20130122
"olha o nosso johnson kid"
sentei-me no meu banco de todos os domingos. aquela pedra
negra onde encosto a cabeça no teu retracto. já não tento chorar. já não tento
sentir-te. não te vejo, quando me acalmo naquela campa e te desejo sem fim. não
te vejo, jamais te verei nestes tempos, nem nos outros. nos outros em que os
segundos respiram a morte do teu corpo, nos outros em que os fantasmas me medem
o peito para enchê-lo de angústia. não te sinto comigo, nem julgo ver-te nos
sonhos. perdoa-me não te sentir como queria. peço-te, um abraço com o teu
sorriso quente, todos os dias quando lá fico. mando-te beijos sempre que lá
passo. tu não voltas, mas era eu quem não devia voltar. johnson kid. fica
a eterna lembrança da graça que só tu me sopravas ao coração e a saudade de tais
palavras no tom paterno da tua voz. amo-te mais que a vida, pertenço-te para lá da morte. venero-te na omnipresência do chão que ainda piso. amo-te, saudade.
20130119
cristina
sinto-me suja. sou uma alma perdida nos becos desta cidade. dou-me ao dinheiro, falto-me ao respeito. eles passam, cospem e pagam. vivo sedenta de sexo e renuncio ao prazer. vida. moda. cama. nem cama. nem moda. nem vida. visto-me pelas metades e dispo-me inteira na frieza de quem me toca. prostituta. maquilhada. vendida, comprada. aniquilo-me aos demónios que me prendem, cheiro a vómitos suados de conversas silenciadas por gemidos desfeitos. não os conheço, protejo-me com o que posso e rezo a Deus que não me largue. mais um cabedal, 50 anos e bolsos rotos, mais rotos do que eu. já o sinto, o medo e a adrenalina de mais um acto tapado pelo escuro. não me sinto, bloqueio-me como uma boneca desfigurada. não o sinto, há fitado o meu corpo e entregue os trocos do meu destino. pergunto-me se um dia algum me mata? e visto-me de vez, pela metade, desta vez mais suave. igreja. vou rezar a Deus por não me ter largado. olhada. de lado. pelo menos não sou beata de sacristia. pecadora. meia inocente, meia assustada. meia puta, meia rasgada. meia morta, toda nada. toda tua, sem preço se me amares. que eu já não sei amar.
diário de cristina, sobrevivente nos dias-de-hoje, morta pelos dias de ontem. talvez viva, amanhã.
p.s:.decidi não apagar o blog, porque é parte da minha história. titulo novo. mudança estética e visual. vida nova. (I guess)
20130114
passagem
oh pequenos vagabundos deste meu
canto, vidas em alma que passais nesta minha terra, este texto não é um
regresso, é apenas uma passagem por estes mundos. os sorrisos que me saem do
rosto são mais sinceros que nunca. cresci e estou tão livre como as penas dos
anjos. estou forte, estou bem. estou desapegado de outros sentimentos, estou
com nojo de ter escrito aqueles textos. dá-me vómitos ler todas aquelas
palavras e ao mesmo tempo riu delas, porque se tornaram indiferentes. aliás
cheguei ao ponto de não as conseguir ler mais, porque são como lixo passado.
não estou feliz, mas estou contente. desliguei do mundo e só conto comigo.
sinto-me óptimo. começo a gostar de mim. sou um resto de nada, e sou um pedaço
de tudo. estou solto e com um sorriso nos lábios por não pensar, por já não me
incomodar mais. cresci, sou de mim e de mais ninguém, nem de mais nada.
:D :D :D :D :D :D :D :D estou
contente porra. descobri que não preciso de ninguém para ser feliz. tenho um
projecto novo, para uma nova banda e já agora, bom ano para todos. aqui o “ano
novo, vida nova” chegou com uns dias de atraso, mas chegou, são e salvo.
beijos e vão dando notícias. :D
20130103
despeço-me pelo tempo que não sei
vou inverter o sentido deste texto e começar pelo que seria o seu fim, a sua despedida. talvez este texto sejam até apenas duas despedidas. não sei se será breve, prolongada ou mesmo definitiva, apenas sinto que não haverá força para escrever de forma tão sonante como me habituei nos últimos tempos. cheguei ao ponto de exaustão, quero dormir neste tempo porque sofro de mais com o que as pessoas que nele passam me dão. cheguei ao meio fim de uma luta de quase 5 meses que irá continuar nos meus silêncios, mas a qual terá de ser partilhada apenas para mim a partir de hoje. tenho pena que as vozes do exterior continuem a ter demasiada importância para as vontades próprias de cada um. tenho a consciência limpa por ter feito tudo de coração, embora a espontaneidade me tenha dado para actos menos correctos. este blog foi todo o meu choro mais sincero, foram todos os nomes bonitos que te chamei, foram todos os sentimentos que me corriam a alma e não o que outros supõe que eu senti. é tudo o que devia contar. só tinha uma coisa a provar, que te amava, e isso fi-lo. isto não é desistir, é ganhar coragem para assumir que não queres nada de bom de mim. é ganhar coragem para assumir que desta forma não chegaria a lado nenhum contigo. não sei se sabes o que fazes ou não, não sei o que sentes porque nunca o disseste, não sei nada porque fui verdadeiro por demais. a promessa de que não te iria mais chatear depois da carta é para cumprir, ficou explicito na tua resposta que não tens interesse em resolver nada, quando após tudo o que te escrevi apenas te importou o que eu poderia ter dito aos meus irmãos. mais uma vez, tenho pena que tudo tenha acontecido desta forma, que te tenhas esquecido do que sou e aches que nunca tenha sido amor, ou que os meus amigos fossem mais importantes que tu. nomes feios toda a gente pode chamar em momentos de raiva, mas mesmo que o tivesse feito nunca seria com o sentido directo que a própria palavra tem. peço desculpa se o fiz, mas não me lembro realmente de o ter feito. confrontei cada um dos que podiam ter dito algo e todos me negaram ter-vos falado a nosso respeito. há cenários ridículos nesta história, há um guião surreal e agora é o momento do protagonista sair de cena. aos que me quiserem contactar por algum motivo, procurem o meu e-mail no perfil ou procurem-me nas redes sociais. mil beijos e abraços...amanhã, para a semana, daqui a um mês ou um ano, um até já. adoro-vos. sejam felizes e dêem valor às pequenas coisas da vida. abram-se aos sentimentos e às experiências que um dia vos deixem saudades de ter vivido. amem-se, sejam irmãos, sejam amantes, sejam anjos na terra. sejam amor. obrigado. aDeus a quem não quer saber de mim.
20130102
odeio-vos, pudesse eu matar-vos
tenho falado tanto de perdão quando nem eu o consigo dar. não vos perdoo, não vos perdoo porque me roubastes a vida. porque entrastes por ela dentro e acolhi-vos como se fosses da família. abriguei-vos no meu coração e confiei em vós os caminhos do meu destino. não vos perdoo, porque me roubastes dela, porque me roubastes o mundo, porque me roubastes as gargalhadas que os meus olhos davam. os meus olhos já não riem como tantas vezes me disseram. nunca esperei uma traição tão grande de gente tão próxima. como pudestes ver todo o meu sofrimento, ver o quanto que morria de mim a cada dia que passava, ver o quanto eu tinha deixado de ser eu e continuar com esse jogo mesquinho? como pudestes fazer-me tal coisa? como pudestes usar a confiança que vos tinha dado para jogar tão sujo, tão porco de maldade, tão sugado de inveja? como pôde a hipocrisia de um negócio chegar tão longe? como pudestes ver-me a afogar e ainda assim colocar na minha frente os vossos interesses? como puderam os anjos permitir que tanto poder fosse ter às vossas mãos para me dominarem daquele jeito? como pôde tudo isto ser possível? como conseguistes amarrar a minha alma a um penedo, o meu corpo a um chão em chamas e dominar cada passo que dava? odeio-vos, porque me roubastes a vida, aquilo que eu tinha conquistado nos últimos anos, roubaste-me pessoas, objectivos, sentimentos, roubaste-me a ela, roubaste-me o meu avô como se um crime tivesse sido cometido. perdi sem saber como, nos corações que antes olhavam para mim com carinho, amor, respeito e amizade, hoje apenas brota ódio, nojo e repugnância. convosco perdi tudo, ganhei lágrimas, estilhaços e pedaços de raiva. virei louco. eu, vós e uma arma eramos felizes outra vez. voltaria a sorrir quando vos visse cair aos meus pés, mas nem isso me apagaria as memórias, paixões e sentimentos que nunca mais alcançarei. ainda assim, pudesse eu matar-vos seus bruxos filhos da puta. tenho ódio de morte por vós, tenho a maior raiva pelo que me fizeram, sinto-me amordaçado porque destruístes o meu futuro, porque me destes mentiras das quais nunca mais alcançarei perdão, as tais que me afastaram dela e pelas quais nunca mais a terei em meus braços. odeio-vos, pudesse eu acabar com a vossa existência e estaria mais tranquilo.
20130101
se
se os modos fossem outros eu teria enviado uma estrela de bom ano ao teu número, mas as respostas a que não tive direito, os sentimentos que desconheço pertencerem-te e a angústia de não haver sinais não deixaram. estás melhor sem mim. já percebi e eu também quis deixar-te no tempo que passou, no 31 que há terminado. juro que queria, mas não...as memórias que carrego e os sonhos que ainda tenho não me largaram o peito nesta passagem. sou uma besta, porque sei que de ti não levo nada mas insisto a pensar no como poderia ter sido se.
se me mato, morro, se não mato, vou morrendo e como prometi não te incomodar mais depois da carta, é isso que tenho de cumprir. bom ano para todos. sejam felizes por favor.
se me mato, morro, se não mato, vou morrendo e como prometi não te incomodar mais depois da carta, é isso que tenho de cumprir. bom ano para todos. sejam felizes por favor.
"Let's be in love again,
If I could go, back in time,
I would say, once again,
Kiss me, Hold me, Feel me,
Love me..."
Let's Be In love - Hands On Approach
"Now I'm a dead man
I see you standing there but you're already gone
I'm holding your hand but you're barely holding on
I'm kissing your lips but it just don't feel the same
Am I dead there now, left living with the blame
Oh I hear the angels talking talking talking
Now I'm a dead man walking walking walking
Already broken, already gone
Already know you're moving on
I'm a breathing, talking
Dead man, walking
Already see it, in your face
Already someone, in my place"
The Script - Dead Man Walking
"You've read the texts,
You've watched the shows,
What's the best way no one knows,
Ye meditate, get hypnotized.
Anything to take it from your mind.
But it won't go,
Your doing all these things out of desperation"
The Script - Six Degrees Of Separation
"What am I suppose to do when the best part of me was always you?
'Coz she moved on while I'm still grieving
You took your suitcase, I took the blame
Now I'm trying to make sense of what little remains
'Coz you left me with no love, and no love to my name
'Coz I got time while she got freedom
I'm falling to pieces (One still in love while the other ones leaving)"
The Script - Breakeven

