imaginemos viana varrida. varrida por água. imaginemos tudo o que está como não está. imaginemos a nossa cidade rodeada de mar sendo invadida por ele. imaginemos a história da nossa cidade a voltar. só os mortos sabem que a nossa marginal era só rio. imaginemos viana sem a avenida dos combatentes. a grande guerra agora será outra. imaginemos o grande barco doutros tempos atracado a meio desta avenida. imaginem todos os nossos encontros nocturnos junto à praça do rio que gritava liberdade. nada mais será como antes. nem bombeiros, nem policia, nem médicos, só Deus e os anjos. eles não vos irão socorrer, pois também eles necessitarão de ajuda. nem os hospitais serão palco para vos acolher, nem tão pouco os cemitérios darão conta do que aí vem. imaginemo-nos sem luz, imaginemo-nos sem comunicação. agora imaginem os mortos, essas almas perdidas à procura de luz de quem os consegue ver. teremos nos olhos a força de os guiar para a luz. imaginemos viana sem pontes, sem os teus amigos, sem os meus e tanta gente que conheces que se perderá na força das águas que virão. imaginemos a tragédia. imaginemos a destruição do que aí vem, imaginemos o caminho de santa luzia a ser caminho para a praia. imaginemos que o mundo tinha valores e isto não era preciso. nem imaginámos a era de mudança que se avizinha. não imaginamos que o amor guia os homens e que apenas isso bastaria para sobreviver. já imaginaram esta viana repetida por tantas outras cidades do litoral? não imaginem, esperem para ver o que aí vem. e não fujam, porque quem tiver de morrer, morrerá com certeza. adeus vaidade, adeus luxuria, adeus dinheiro que vos acode, adeus traidores e adeus loucos da magia negra. trabalhasses vós para o bem e o mundo estaria salvo. adeus à cidade que conheço. adeus em dezembro, adeus em maio. logo perceberão porquê. somente aDeus.
20121128
20121126
à noite, amo-vos meus amores
a lua está focada nos meus olhos, e os gatos miam os meus segredos à noite. as estrelas não me vêem e as guitarras choram as almas das crianças que matei em mim. a minha vontade de ir não é maior que o medo de ficar. decidido assim, porque jurei que o nosso amor seria para sempre. tão juntos ou tão separados assim será. e venham os que ainda vierem, deste ninguém nos tirará as lembranças ternas e as cicatrizes malvadas que nos cravaram o coração. deste que eu terminei primeiro e tu assentaste em segundo e que é para mim uma história bonita que passou. foi um fim trágico por culpa minha, mas ainda assim guardo todo o passado comigo, até os nossos maiores queixumes, com todo o amor. e fico de novo, pois tenho mais para viver do que para matar. tenho a esperança de um dia dar mais sorrisos do que lágrimas de dor por vos perder meus amores. e porque sei que sei amar (te), porque sei que te encontrarei numa próxima esquina quando menos esperar. porque sei que ainda vou sorrir, e fazer-te de ti em mim, um nós que me iluminará os olhos sempre que te vir. porque sei. sei que vos amo meus amores, os antigos e os próximos e todos eles só acabarão, quando se enterrarem comigo na campa. por enquanto ficarei, amando-vos cada vez menos, mas nunca deixando totalmente, até ao próximo que me disser que afinal o passado não foi amor, e este sim é que será magia eterna.
20121125
sem título, só vazio, pois não choro, não rio, não sinto.
os papeis das minhas cartas ficaram gastos, a sépia deste lápis está rompida e os textos já não fazem mais sentido, pois não choro, não rio, não sinto. a tinta com que desabafo secou, os cigarros já não fazem mais efeito e o soro não é carne de alimento. eu não quero mais nada. já não peço, não espero, já só passo. pelo tempo. quero as velhas agulhas, e com o sangue que elas guardaram escrever mais tramas no meu peito. haverá ainda espaço para remendos, até ao dia em que as linhas da minha vida deixarão de ser palco para os bordados do meu destino tão negro. e aí a morte. oh morte que tanto chamo por ti. te juro que da próxima vez será só sexo. não amarei outra mulher pois só tu mereces o meu corpo. só tu ainda me amas, e nem tu me dás o que melhor sabes fazer. ou serás tu também traidora ,que não te mostrarás aos meus espelhos enquanto não nos casarmos? ai morte que eu não te vejo, nem te amo como penso que sim.
20121119
vou esperar o nosso tempo
vou esperar até de manhã para ficar triste, porque o tempo dá-me medo e à noite eu não tenho sono. vou levantar-me agora e subirei tão alto onde tu nunca estarás, um plano de paz e espiritualidade onde tu não quiseste chegar comigo.
lucifer lá debaixo verá as sombras junto às solas dos meus sapatos e serei eu dessa vez a mandar no diabo. até ele terá medo de me enviar o mal quando apenas brutar do meu coração um novo amor, uma nova paz.
os anjos colocar-me-ão um par de asas que me levarão até ti e aí amar-nos-emos, até as nossas almas se confundirem e os nossos corpos se misturarem nos calores arrepiantes da nossa paixão docemente selvagem. e quando os espiritos gritarem os nossos nomes num ritual pagão, saberemos que somos nossos para todo o sempre, na nossa eternidade.
apenas eu, tu, nós e o tempo, o nosso tempo.
apenas eu, tu, nós e o tempo, o nosso tempo.
passar a ser tão nada
será que alguém repara que os meus olhos se vão inundar em choro? serei tão opaco que ninguém percebe que estou totalmente destruído por dentro? que a minha respiração está tão fraca que só por vezes inspiro fundo como um último suspiro antes da morte? alguém viu que eu também fui abalroado para um caixão de enganos e mentiras? alguém me viu apenas? alguém me quer bater? pelo menos se me batessem saberia que era visto por alguém. pelo menos esse alguém não me desprezaria. matem-me já senhores, somente matem-me, que eu já não vos suporto. mas não, esta ainda não é a minha despedida mais solene e por isso não será a última.
até mais;
20121117
dezassete de novembro e o diário da minha ruina, e o sossego do meu corpo
tu conheces-me. sabes bem como sou e como sou de estar. sabes tão bem quanto eu que não sou de falar mal de ninguém quando não gosto das pessoas, muito menos falaria quando gosto, ou seja de ti e de nós. eu cometi um erro. demasiado grande, é certo. sou o primeiro a assumi-lo hoje. mas apenas um erro em tanto tempo. acusei-te injustamente, fui manipulado e jogaram comigo aquelas pessoas que eu julgava fazerem parte do meu apoio. enganaram-me e eu fui levado na corrente. talvez vítima do meu estado de destruição e da minha fraqueza do momento. o meu Avô tinha morrido e só no final do semestre o meu ser teve oportunidade de chorar realmente a sua perda. aproveitaram-se desse meu estado, jogaram comigo o nome do meu Avô e viraram-me contra ti. Ele era tudo para mim, tu sabes. foste a minha maior perda depois da Dele. sempre te deixaste levar pelas conversas alheias que nos viravam um contra o outro e vejo que continuas a fazer o mesmo. sim, eu também o fiz, da forma mais radical e medíocre, e talvez essa única vez tenha sido demasiado devastadora. estive mal. estive muito mal. não penses que não me custou, aliás sabes bem o quanto me arruinou a alma. foste vitima de um jogo mesquinho, mas eu também fui, apesar de odiar tomar-me por tal. acordei à uma semana de um coma hipnotizante que me controlou todos os passos que dava e me impediu de continuar contigo. foi uma pressão impensável que me massacrou todos os dias, durante tanto tempo, ainda nós eramos um. tanto tempo resisti e depois falhei. cheguei a um limite em que já não tinha forças para lutar contra tanta gente que me falava tão mal de ti. falhei, mas tentei ressuscitar. tentei explicar-me a ti e a nós, quis terminar com esta barreira que nos matou, e quando pensei que me irias dar tal oportunidade, deixaste seguir-te pelos conselhos alheios, por essas vozes que tantas vezes ouviste ainda estávamos juntos. afinal "não se deve cuspir para o ar pois pode-nos cair na testa". não sou ninguém para dar lições de moral, e ninguém deveria achar que é. eu tentei dar-te a verdade e recuperar alguma coisa de nós, não percebo o porquê de juntar mais pessoas a uma história que era a dois, se o objectivo era terminar com um ambiente infernal. hoje, tenho a minha consciência tranquila, cometi um erro gigantesco, tentei remediá-lo talvez de uma forma cobarde, mas tentei. fiz o que achava ser suficiente para ter a oportunidade de contar a minha versão dos factos. não quiseste, não achaste necessário, espero sinceramente que "os amigos" nunca te falhem e que sejas feliz. o arrependimento e o perdão são das nossas maiores armas. eu tenho o meu arrependimento, faltou-me o teu perdão. e tempo para nos salvar. as minhas desculpas, já que não te o posso dizer de outra forma. e um beijo, fica com um beijo meu. e não, este não é como o de judas, como tão habituado estou a receber nestes tempos. não os teus, que afinal sempre acreditei serem verdadeiros e por algum motivo nunca te esqueci, porque dentro de mim sabia que eras verdade. éramos verdade, éramos amor, e o resto exterior eram traidores chamados de amigos. amigos os meus que eram bruxos, e dos quais me afastei por acreditar em ti, por acreditar em nós. tenha sido tarde de mais para nós.
20121115
quinze de novembro
o arrependimento e o perdão são dos maiores simbolos do amor dos homens.
por hoje é apenas isto. parabéns e sê verdadeiramente feliz.
20121113
dos teus beijos que ele mais gostava
e era dos teus beijos que ele mais gostava. aqueles toques no pescoço que lhe aspiravam o ser e lhe aqueciam o peito. a pele arrepiada com cada palavra de carinho que só tu lhe davas. tão única que eras para ele. o bem maior que ele tinha e tão fácil deitou fora. ele amava-te desde o mais profundo que conhecia e tão incrivelmente se deixou cair na mentira alheia. eramos nós, e só tínhamos de ser nós. como pôde ele ouvir os negros de alma, os da inveja e da cobiça de um amar tão nosso, tão forte? ele vai amar-te para sempre, pois foi certamente o mais verdadeiro amor dos seus vinte anos. ele não pede ao destino nada para ele, apenas que te guarde e te faça feliz com quem nunca, mas nunca desconfie do teu amor. ele ficará também por aí, junto com o tempo a juntar cada pedaço do seu coração, desfeito cada vez mais com as desilusões das gentes que o rodeiam, das gentes que o abraçam e são como cobras que o envenenam pelas costas.
vai lá, princesinha. até sempre. amo-te ;'(
20121112
pudesse eu...desculpas
eu não sou poeta. isto não são frases mas são tanto. são sentimentos. e a tristeza não se escreve, mata-nos. viana está despida e eu vagueio no teu canto. o mar rasga tão forte, leva a fúria e devolve-te um homem perdido. eu corro agora descalço, contigo em mim. esta noite já não chove, mas este frio...não é ausência de calor, mas é ausência de ti, que me dói. amor, perdoa este pranto, porque viana traz-me saudades de ti. as noites eram longas em beijos, agora são martírios sem nós. este amor é todo teu. é perdão pedido, arrependimento, a tristeza como eu, tão nu, tão frágil, tão teu. e o arrependimento me matasse mais que a dor de te ter mandado ir. seria a morte minha mulher mais depressa, e mais depressa me deixaria partir.
20121111
dedicado a ti, amigo
um dia saberei que voei mais que o tempo e sonhei mais que a sorte. que tive o melhor de ti e que te dei o melhor de mim. um dia decidirás partir e eu ficarei. terei saudades do que fomos e agarrarei junto do peito todas os registos que sorrimos ao talento dos fotógrafos. lembrarei o que nos quisemos e gritarei pelos vampiros na noite que fomos, anónimos unidos às maiores tristezas da terra e apesar de tanto, sempre sorrimos. fugidos à vida enquanto a vida corria por nós e partilhávamos o melhor dela, em paz, quase a morte.
um dia amei-te, meu amigo. hoje amo-te mais e desfaço pedaços de mim por não te poder abraçar.
um dia serão caminhos distantes, famílias novas onde tu serás chefe. será o peso da velhice e os remorsos de um até já demasiado prolongado. um dia será saudade de te ver, de ouvir e abraçar, e então saberemos que um dia será a morte a nos chamar. chorarei por ti, por te ter deixado ir e amar outra vida, tão tua, sem nós. um dia choverá, e nesse mesmo dia me despedirei eternamente de ti, ou tu de mim. um dia olharemos o redor e já só estará um de nós. uma noite morrerei no tempo, e depois tu, e um nunca mais nós. um adeus infinito que nos juntará as almas e fará parar os nossos corações já velhos, e aí, novamente amigos, dessa vez para sempre. nessa vez para sempre.
Amén.
20121101
homicídio do meu corpo
matei-me mas não me suicidei. deixei ali um corpo mas estou cá. nem sem mais quem ele é. talvez o mais feio de todas estas vidas que cá vim. e talvez esta não seja a última.
ora bolas, matei outra vez aquele imbecil, e agora vou viver. afinal não preciso de um corpo para viver. a alegria está na alma, a tristeza aperta no peito e os olhos choram, para quê? é tão mais fácil ser espírito e levar de um bar fechado a minha festa."ora doce, ora amarga" consoante a tal alma se der sem ti. essa alma, minha alma, nem te ama. aquele corpo sim, mas eu? eu amo a vida, e agora vou viver. tu, hás-de aparecer, ou não, para ver esse corpo que ficou. o enterro talvez seja amanhã, ou depois. vistam-me de preto, eu só gosto do preto. avisem-na que quero ser enterrado de preto e vou estar lá para ver. e vou abraça-las quando chorarem por aquele corpo. tão vadio. elas não vão perceber, e eu só usei uma faca para o deitar solto no chão. inanimado.
a vista daqui é melhor. se alguém me conseguir ouvir, digam-lhes que eu estou bem. vim viver, decidi viver, aí no submundo morria um pouco todos os dias. e dêem-lhe beijos, aquele corpo gostava de beijos. e de abraços que nunca teve. ai vida, vida, elas também gostavam de beijos e eu dava.

